0# CAPA 29.4.15

ISTO
edio 2369 | 29.Abr.2015

[descrio da imagem: figura de corpo inteiro de um homem, de perfil, cabea baixo e com a mo esquerda, usando os dedos indicador e polegar apoiados entre os olhos, em posio de preocupao. Acima da cabea, uma nuvem.]
A CRISE E A SUA CABEA
Cada vez mais brasileiros buscam ajuda para tratar sintomas de ansiedade e depresso causados pela crise econmica.

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1# EDITORIAL
2# ENTREVISTA
3# COLUNISTAS
4# BRASIL
5# COMPORTAMENTO
6# MEDICINA E BEM-ESTAR
7# ECONOMIA E NEGCIOS
8# MUNDO
9# CULTURA
10# A SEMANA
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1# EDITORIAL 29.4.15

"A PERDA DA VERGONHA"
Carlos Jos Marques, diretor editorial 

Existe muito de imoral nas deliberaes em curso pelo governo e mesmo com toda a carga de protestos e de rejeio a ele no param de surgir medidas que chocam a Nao como um todo. Na sequncia de erros atrs de erros, a cada semana, o descalabro da vez foi o aumento inacreditvel dos recursos destinados ao fundo partidrio, uma dinheirama distribuda fartamente pelo Estado para irrigar os j gordos cofres dessas agremiaes e bancar as negociatas de seus dirigentes. A aberrao segue em voga h 20 anos. Consumiu nesse tempo mais de R$ 4 bilhes em recursos pblicos, segundo as contas do Tribunal Superior Eleitoral, e de l para c teve um crescimento exponencial de cotao da ordem de 490%. O que ocorreu na semana passada, de todo modo, ultrapassa qualquer nvel de compreenso. Para no contrariar os humores polticos, e sob presso direta do PT para que desse andamento  proposta, a presidente Dilma resolveu simplesmente triplicar a verba destinada a essa rubrica. O governo, que pretendia gastar R$ 289,5 milhes neste ano com a conta, aceitou ser mais generoso e referendou um dote de R$ 867,5 milhes para as legendas. E isso em plena campanha por um ajuste fiscal que, fica cada dia mais evidente, sobrar para ser arcado pela populao. A turbinada no Fundo Partidrio ocorre em meio ao enfraquecimento notrio do poder de barganha de Dilma e teve, segundo assessores prximos, o objetivo de arrebanhar simpatizantes e apoios s suas deliberaes. Na surrada ttica do toma-l-d-c, perdeu-se de vez a vergonha. Ao sancionar a despesa, Dilma no apenas afrontou o senso comum. Sofreu crticas dos prprios aliados a quem pensava agradar. O presidente do Senado, Renan Calheiros, sem poupar palavras, foi ao ataque: A presidente fez o que havia de pior. Ela deveria ter vetado, como muitos pediram. O repasse extra vai custar mais de meio bilho de reais (exatos R$ 578 milhes) ao Tesouro. O vice-presidente, Michel Temer, que assumiu o papel de bombeiro para apagar os inmeros incndios promovidos pelo governo, tentou contornar o problema. Falou na possibilidade de contingenciamento da verba autorizada. Mas teve, logo depois, de voltar atrs dado que a Lei de Diretrizes Oramentrias (LDO) impede o bloqueio, mesmo em parte, desses recursos depois que eles so sancionados. A derrapagem oficial que desmoralizou o discurso de austeridade vai, mais uma vez, pesar no bolso dos brasileiros, sem d nem piedade.
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2# ENTREVISTA 29.4.15

PASCAL LAMY - "O BRASIL CRIOU SEUS PRPRIOS PROBLEMAS"
O ex-diretor da Organizao Mundial de Comrcio diz que a estratgia da presidente Dilma de culpar o cenrio internacional pela crise econmica  um velho truque dos polticos
por Ludmilla Amaral 

CRISE - "A maioria dos pases da Amrica Latina est melhor do que o Brasil"

O francs Pascal Lamy  um otimista empedernido. Ex-diretor-geral da Organizao Mundial do Comrcio (OMC) entre 2005 e 2013 e, segundo a revista britnica Prospect, um dos 50 pensadores mais importantes do mundo, Lamy no considera o cenrio atual to grave quanto os economistas mais sisudos gostam de dizer. O ritmo de crescimento do PIB da China diminuiu, mas ainda  enorme, e os Estados Unidos j esto foram da crise, diz Lamy.

"O presidente Lula fez um trabalho duro para reduzir a desigualdade social. O problema agora  a capacidade de o Pas sustentar isso"

Seu otimismo s mostra abalos quando analisa a conjuntura brasileira. Vejo tempos difceis para os prximos anos, afirma. O boom das commodities est acabado. O Brasil no est melhorando a competitividade de sua economia. H depreciao do cmbio, inflao alta, desarranjos nas finanas pblicas. Tem uma enorme lista de situaes negativas. Em entrevista concedida pouco antes de dar uma palestra na Faap, em So Paulo, sobre as mudanas no comrcio internacional nos ltimos 10 anos, este economista de 68 anos aponta o culpado pela situao: O Brasil criou seus prprios problemas.

"A reaproximao com Cuba, liderada por Obama, mostra que pessoas razoveis podem fechar questes do passado e seguir em frente"

Isto - H vises sombrias sobre o crescimento do PIB mundial nos prximos anos. Qual  a real dimenso do problema?

Pascal Lamy - Depende da forma como ns olhamos para a crise. Existem vrios problemas de longo prazo, que tm a ver com o debate da estagnao secular (teoria segundo a qual o PIB do planeta no vai acelerar por um amplo perodo), mas o crescimento mundial no ser muito menor do que antes da crise de 2008. H um consenso para os prximos dez anos de que os emergentes vo crescer 5%, o que  uma boa escala, os Estados Unidos, por volta de 2,5%, e a Unio Europeia, em torno de 1,5%. 

Isto - O sr. vai na contramo da maioria dos economistas, que parecem estar bastante preocupados com o futuro prximo. Por que essa diferena?

Pascal Lamy - Eu no sei se podemos caracterizar a economia mundial como uma situao de crise. Houve uma crise em 2008 e em 2009, mas estamos saindo dela em nveis e velocidades diferentes. 

Isto - Mas at a China diminuiu seu ritmo de crescimento.

Pascal Lamy - A China ainda est avanando bastante. A taxa de crescimento diminuiu, mas ela ainda  enorme. Apenas em 2015, a economia chinesa vai crescer 800 bilhes de dlares.  menos em termos de ritmo, mas, hoje em dia, 6% representam mais do que os 10% de cinco anos atrs. 

Isto - H alguns dias foram divulgados indicadores negativos da economia americana, como a reduo dos nveis de emprego e do consumo. Isso representa uma preocupao? 

Pascal Lamy - Os Estados Unidos esto fora da crise. Para uma economia madura como a americana, crescer 2,5% ano  uma boa performance. No podemos dizer o mesmo da Europa, que enfrenta dilemas como o envelhecimento da populao e o aumento da imigrao. 

Isto - Por que a Amrica Latina em geral e o Brasil em particular vivem uma situao muito mais difcil?

Pascal Lamy - Toda a Amrica Latina est enfrentando o fim do boom de commodities. Porm, alguns pases esto indo melhor do que outros e isso tem a ver com polticas internas. So decises tomadas por governos que fazem com que uma nao fique melhor ou pior do que a mdia. 

Isto - Em 2013, o sr. disse que estava muito confiante no desempenho dos pases emergentes. O sr. ainda pensa dessa maneira?

Pascal Lamy - Em geral, os pases emergentes foram menos afetados pela crise de 2008 do que os Estados Unidos e a Unio Europeia, que viram seu sistema financeiro enfrentar srios problemas. Pases como China, ndia, Indonsia, Turquia, Mxico e Brasil estavam mais preparados, com significativas melhoras nas finanas pblicas. 

Isto - Mas o Brasil teve um crescimento muito mais lento do que o esperado e agora est em recesso. O que deu errado? 

Pascal Lamy - A economia brasileira se deteriorou muito nos ltimos anos, mas isso  resultado de decises polticas. Os problemas que o Brasil enfrenta foram criados por ele prprio. No foram feitos no mundo. A frica, por exemplo, foi atingida em cheio pela crise, mas agora a economia est muito melhor do que antes.

Isto - Para justificar as dificuldades, a presidente Dilma Rousseff disse que o Brasil est tentando sobreviver a uma crise internacional. Isso no corresponde  realidade?

Pascal Lamy - Voc sabe, culpar o estrangeiro  um velho truque na poltica interna. A maioria dos pases da Amrica Latina est indo melhor do que o Brasil. Ento, no  s a crise internacional que afeta o desempenho brasileiro. 

Isto - Quer dizer que o Brasil est imune  crise econmica internacional?

Pascal Lamy -  claro que no  assim. A crise na Europa, por exemplo, teve alguma influncia na economia brasileira. Afinal, a Europa  um parceiro comercial importante, como so tambm os Estados Unidos e os outros pases ricos. No mundo globalizado, h muitas conexes. A questo  que o Brasil est mais sensvel em decorrncia da volatilidade dos preos das commodities. Mas isso no deveria ser to prejudicial ao Pas. O problema  que as exportaes brasileiras so menos diversificadas do que deveriam ser. 

Isto - Quais so as suas expectativas para o Brasil nos prximos anos?

Pascal Lamy - Vejo tempos difceis para os prximos anos. H muitas coisas caminhando para a mesma direo. O boom das commodities est acabado. O Brasil no est melhorando a competitividade de sua economia. H depreciao do cmbio, inflao alta, desarranjos nas finanas pblicas. Tem uma enorme lista de situaes negativas. 

Isto - Os brasileiros esto muito decepcionados com o governo, fazendo protestos e pedindo o impeachment da presidente. O que pode ser feito para o Pas superar a crise? 

Pascal Lamy - Assim como em qualquer democracia, a insatisfao  um direito das pessoas. H muitos problemas acumulados, que precisam ser corrigidos. No final das contas, o que interessa na economia  saber quantas pessoas esto empregadas e a qualidade desses empregos. Eu vejo que foi feito um trabalho muito duro pelo ex-presidente Lula para reduzir as desigualdades no Brasil. O problema agora  a capacidade de o Pas sustentar isso. Como voc consegue sustentar um bom sistema social com um crescimento lento?  muito difcil.

Isto - Quando comandava a Organizao Mundial do Comrcio, o sr. chegou a dizer que os mais pobres deveriam ter um tratamento especial no comrcio internacional. De que forma isso funcionaria? 

Pascal Lamy - Na verdade, no antigo mundo do comrcio, onde os obstculos eram as tarifas e subsdios, essa afirmativa estaria correta. Mas, no mundo atual, os obstculos no so mais esses. As tarifas e subsdios importam muito menos do que no passado, por causa dos sistemas de produo cada vez mais globalizados. 

Isto - Os BRICS parecem, de forma geral, terem perdido a relevncia. Por que isso aconteceu?

Pascal Lamy - Em primeiro lugar, o conceito do BRICS no  racional. Por que s Brasil, Rssia, ndia e China? Por que no Indonsia? Por que no Mxico? Por que no Turquia? Mas no  verdade que eles perderam a relevncia. Os pases emergentes respondem por mais da metade da economia mundial. Isso no  ser irrelevante. A taxa de crescimento dos pases emergentes  duas vezes maior do que a dos Estados Unidos, quatro vezes superior  dos pases europeus e uma vez a taxa observada no Japo. 

Isto -  possvel conciliar desenvolvimento econmico com as novas demandas da sociedade, como preservao ambiental e avanos sociais?

Pascal Lamy - Hoje, o mundo est ancorado, basicamente, em trs modelos. O primeiro  o modelo dos Estados Unidos, com bastante liberdade individual, liberdade de mercado e muita tolerncia com a desigualdade. O segundo  o da China, que no oferece liberdade individual, mas possui eficincia coletiva. O terceiro  o europeu, com bastante liberdade e um grande sistema social solidrio. Ou seja, os Estados Unidos proporcionam liberdade, mas no so muito solidrios. A China no  to livre assim, mas bastante solidria. J a Europa est entre os dois, livre e solidria. Para proporcionar um sistema relativamente sofisticado, que permite abordar melhor as desigualdades sociais,  preciso, pelo menos, 2% de crescimento. Os Estados Unidos esto acima disso, a China tambm. A Europa cresce menos que isso. 

Isto - Em 2010, o sr. disse que a Europa precisava de imigrantes para manter seus padres de vida. O sr. acredita que a imigrao teve alguma influncia no crescimento econmico do continente?

Pascal Lamy - Ainda no. A maioria dos europeus est relutante em aumentar a imigrao. A Europa, a longo prazo, ter de aceitar a imigrao se quiser manter o seu modelo de civilizao. O problema  que a maioria dos europeus continua contrria  chegada de estrangeiros. Se voc comparar a Europa com o Canad ou com a Austrlia, ver que a mentalidade  totalmente diferente.

Isto - A Frana, seu pas, tambm parece mergulhada num pessimismo sem fim.

Pascal Lamy - A Frana , por natureza, anti-capitalista e anti-mercado. Isso  parte da cultura francesa e explica por que dois teros dos franceses pensam que a globalizao  algo ruim para o pas. Os franceses so os campees mundiais em pessimismo. Como resultado, a Frana est se adaptando de forma muito vagarosa aos novos tempos.

Isto - Quais so os efeitos positivos da reaproximao histria entre Estados Unidos e Cuba? 

Pascal Lamy - Do ponto de vista econmico, o impacto  muito pequeno, dado o tamanho de Cuba. Porm, os efeitos polticos da reaproximao liderada por Barack Obama so muito importantes. Isso mostra que pessoas razoveis podem fechar questes do passado e seguir em frente.
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3# COLUNISTAS 29.4.15

     3#1 RICARDO BOECHAT
     3#2 LEONARDO ATTUCH - QUEM PODE MAIS: RENAN OU CUNHA?
     3#3 GISELE VITRIA
     3#4 ANTONIO CARLOS PRADO - HLDER (VINICIUS) CMARA (DE MORAES)
     3#5 BRASIL CONFIDENCIAL

3#1 RICARDO BOECHAT
Com Ronaldo Herdy 

Reflexos
Advogados criminalistas se mobilizam para a OAB-RJ pedir ao TRF da 2 Regio a reviso das decises do juiz federal Flvio Roberto de Souza. Afastado do caso Eike Batista, a defesa do magistrado admitiu que ele tem problemas psiquitricos. Ser difcil o reexame de todos os julgamentos na 3 Vara Federal Criminal, nos ltimos 15 anos, face  presuno da legitimidade. Mas talvez ocorra o reexame de casos por amostragem, considerando a data do laudo mdico.

Trabalho 
 Respeito  prova
 A deciso vale para o Banco do Nordeste, mas o TST a estendeu s demais empresas pblicas e sociedades de economia mista. No pode haver terceirizao de servios de advogados na administrao federal, se profissionais do Direito aprovados em concurso aguardam contratao. Em seu voto o ministro Augusto Cesar foi claro: seleo pblica promove isonomia entre cidados e  norma da Constituio.

Constituio
 Mais de 100
 Quando valer para o Pas, a deciso do STF que selou no Par o privilgio da penso vitalcia de ex-governadores, a Bahia economizar bastante. No estado, muitos polticos vivos tm direito ao benefcio, como Jaques Wagner, Waldir Pires, Lomanto Jr., Csar Borges e Paulo Souto. No Brasil, 150 ex-governadores e ex-primeiras embolsam cerca de R$ 10,5 mil a R$ 26,5 mil, segundo deciso de cada Executivo estadual.

Agricultura 
 Plano de voo
 Preocupada em construir uma agenda positiva para Dilma Rousseff, a ministra Ktia Abreu saiu do Palcio do Planalto na semana passada afirmando que a presidente lanar o Plano Nacional de Defesa Agropecuria no dia 13 de maio. Pragas e insetos no temam! Ao invs de slidas medidas para fortalecer a produo agropecuria, visto com bons olhos o plano no vai alm de uma grande carta de intenes.

Ministrio Pblico 
 Mulher procuradora
 Responsvel por coordenar o arquivamento ou abertura de ao penal contra governadores investigados no STJ por suposto envolvimento na Lava Jato, a vice-procuradora-geral da Repblica, Ela Wiecko, tem sido estimulada a disputar a cadeira de Rodrigo Janot, seu chefe imediato. Preo no segundo semestre. Progressista, ela j tentou no passado  na ltima disputa obteve 457 votos, ficando logo atrs de Janot (511). O desembargador Manoel Lauro Volkmer de Castilho com quem  casada  um dos oito assessores do ministro Teori Zavascki , relator da Lava Jato no STF.

Poltica
 Vai no vai
 Jair Bolsonaro deu um tempo na deciso de sair do PP. Presidente regional do partido, o vice-governador do Rio, Francisco Dornelles, afagou o deputado e pediu ao Diretrio Nacional que indique o parlamentar para comisses temticas e o deixe discursar no plenrio da Cmara - duas grandes queixas de Bolsonaro. O teste de prestgio comea na quinta-feira 30, na propaganda do partido em cadeia nacional, pelo rdio e tv, autorizada pelo TSE.

Energia 
 Unio  vista? 
 Responsvel por procurar no Brasil e no Exterior comprador para parte das aes da Petrobras Distribuidora, o Bradesco BBI estuda com carinho o negcio. A tal ponto que pode virar scio minoritrio da estatal, dona da marca BR e da maior rede de postos do Pas, alm das atividades de importao e exportao de petrleo.

tica
 Sem lero lero
 A OAB comeou a votar na semana passada os 80 artigos do seu novo Cdigo de tica e Disciplina.  bblia para 868 mil advogados. O atual, de 1995, no abrange todas as modernas ferramentas de comunicao. Segue veto ao email para oferta de servios. Nas redes sociais podem ser debatidas teses, nunca postar propaganda pessoal - e da banca. A ordem quer tudo aprovado at 11 de agosto, Dia do Advogado.

STF
 Primeira voz
 Um dos ministros mais felizes com a ida de Luiz Fachin para o STF  Lus Roberto Barroso. No s pela amizade de vida acadmica de duas dcadas, como por outra razo: h quase dois anos, Barroso, como ltimo a entrar no supremo,  o primeiro a votar, depois do relator, em todos os julgamentos. Isso requer mais tempo de preparo para as sesses, pelo encargo de iniciar a discusso e, eventualmente, divergir do relator. Tal tarefa, agora, passar para Fachin.

Balana comercial
 Ao p do ouvido
 Nem s a poltica esteve na agenda de Michel Temer em Lisboa, na semana passada. O vice-presidente tentou convencer o governo luso a comprar seis avies de transporte militar KC-390 da Embraer. A Fora Area portuguesa no descartou o negcio, mas comprometeu-se mesmo s em enviar um representante ao Brasil, em junho, para assistir o primeiro voo da aeronave. As autoridades lusas esto indecisas por considerarem existir a possibilidade de gastar menos modernizando a frota de C-130 que tem em mos.

IAB
  do ramo
 O Instituto dos Advogados Brasileiros enviou ofcio aos 27 membros da Comisso de Constituio e Justia do Senado. Aplaude a ida de Luiz Fachin para o STF. O supremo precisa de um advogado experiente e com alto saber acadmico, o que se v em seus 40 livros, abrangendo todas as reas do Direito diz o presidente do IAB, Tcio Lins e Silva.

Congresso
 Sem lastro
 Preocupados com a possvel instalao da CPI da Swiss Leaks, escndalo financeiro global a partir da filial sua do HSBC, alguns empresrios j bateram nas portas de grandes bancas do Rio de Janeiro e de So Paulo. No querem ser presos e acusados de sonegao fiscal e lavagem de dinheiro. O advogado carioca Ary Bergher admite ter em mos preventivos mandados de segurana.  Mas no cr em punies. As provas da Swiss Leaks so ilcitas. Documentos sob sigilo vazaram pelas mos de um ex-empregado do HSBC. O banco  que corre risco de processos.

Medicina 
 Cuidar  preciso
 A internao de viciados em drogas em comunidades teraputicas sem equipe mdica tem dado problemas. Tantos que o Conselho Federal de Medicina acaba de editar resoluo proibindo o envio de pacientes para lugares sem assistncia especializada. Em situaes de crise, largados, pacientes acabam voltando para o consumo de entorpecentes nas ruas.

Carne 
 Puro suspense
 A grande expectativa no Palcio do Planalto  que durante a visita do primeiro ministro Li Keqiang ao Brasil, em meados de maio, a China libere as importaes de nossa carne bovina. Dilma Rousseff anunciou o sinal verde em junho de 2014, mas alegando restries sanitrias os chineses ficaram na moita. O mercado  estimado em US$ 1,2 bilho. Parou em 2012, quando um caso de vaca louca ocorreu no Paran.

Msica 
 D, R, Mi ...
 Quem pretende acompanhar Roberto Carlos na prxima edio de Emoes em Alto Mar, de 20 a 24 de janeiro de 2016,  bom cuidar da voz - e quem sabe ter aulas de interpretao.  que o tradicional karaok do projeto dar ao melhor intrprete um carro zerinho, alm de trofu personalizado e coleo de CDs e DVDs. Com um estmulo assim, esse cara (vitorioso) pode ser voc.


3#2 LEONARDO ATTUCH - QUEM PODE MAIS: RENAN OU CUNHA?
Ao "dividir para reinar", Dilma ganha fora para gerir os conflitos internos do PMDB.

No se sabe se o governo Dilma pensou em Maquiavel ao, na mais recente troca ministerial, retirar poder do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e fortalecer o chefe da Cmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com a mudana no Ministrio do Turismo, de onde saiu Vincius Lage, indicado pelo primeiro, para a chegada de Henrique Alves, apadrinhado pelo segundo. Mas o fato  que a estratgia de fragmentar o exrcito inimigo  em tese, aliado  deu certo. Na semana passada, o princpio de dividir para reinar, um dos pilares da doutrina maquiavlica, desfilou por Braslia.

Na quarta-feira, o rolo compressor de Eduardo Cunha garantiu a aprovao, em segundo turno, na Cmara, do projeto que amplia e regulamenta a terceirizao para praticamente todas as atividades profissionais. Defendido por entidades empresariais como Fiesp e Confederao Nacional da Indstria, o PL 4.330 enfrenta forte oposio sindical, que encara a proposta como a p de cal nos direitos e garantias da Consolidao das Leis do Trabalho, a CLT varguista.

No entanto, de repente, de onde menos se esperava, os trabalhadores ganharam um forte aliado: o senador Renan, que disse que a terceirizao no pode ser ampla, geral e irrestrita. Sem pressa, o presidente do Congresso afirmou que o tema passar por vrias comisses, como de Direitos Humanos, Constituio e Justia, Assuntos Econmicos e Assuntos Sociais, antes de chegar ao plenrio. Sem sofreguido, garantiu Renan, despertando a ira do (tambm em tese) aliado Eduardo Cunha. Engaveta l, engaveta aqui, avisou Cunha, sinalizando que projetos de interesse do Senado tambm podero parar na Cmara.

Para o governo Dilma, a queda de brao entre os dois caciques peemedebistas, no poderia vir em melhor hora. Afinal, seu governo, mesmo com o vice Michel Temer na articulao poltica, ainda no encontrou a frmula ideal para pacificar o Congresso, que tem avanado com uma pauta conservadora. A terceirizao  um exemplo, mas o PT tambm foi derrotado em outros temas, como a reduo da maioridade penal.

Como no foi possvel conciliar os interesses de Cunha e Renan, quem saiu no lucro foi o prprio governo. Um dia depois da aprovao do PL 4.330, o lder Jos Guimares (PT-CE) afirmou que, agora, a esperana  Renan. Ou seja, mesmo tendo perdido o Ministrio do Turismo, o senador se tornou um aliado mais fiel do que Cunha, que acabou de conquist-lo. Vai entender...


3#3 GISELE VITRIA
Gisele Vitria  jornalista, diretora de ncleo das revistas ISTO Gente, ISTO Platinum e Menu e colunista de ISTO  

Musa felliniana
Se o casting fosse do prprio Federico Fellini, ela estaria mais para Claudia Cardinale do que para Julieta Masina. Pois Carol Castro ser uma das estrelas da verso brasileira do musical Nine  Um Musical Felliniano, montagem teatral da Broadway (1982), inspirada no filme autobiogrfico Oito e meio do cineasta italiano. No espetculo, Carol  Luisa Contini, esposa do personagem central Guido (interpretado por Nicola Lama), que em uma crise de criatividade para conseguir realizar seu prximo filme, se v s voltas com as mulheres de sua vida.

No musical dirigido por Charles Meller e Claudio Botelho, Carol contracena com Beatriz Segall, a eterna Odete Roitman. Ela  uma diva. No a conhecia, mas fizemos uma leitura especial para ela e foi uma honra, diz. Mas no tem jeito, ela acaba me lembrando a Odete Roitman. Eu era pequena quando vi Vale Tudo, e o personagem marcou muito. Nos ensaios, Carol investe no canto com fora total. Desde que passei no teste, em novembro, minha vida virou uma loucura. Estou super empenhada at porque o foco  o canto, mais do que a dana. Por isso estou fazendo aulas em So Paulo, e quando estou no Rio, fao via skype, diz Carol. Acho que estou indo bem. Treino bastante no carro, e claro, canto muito no chuveiro, diverte-se a atriz. Aproveitando o embalo, ela no descarta virar roqueira. Tenho esse sonho no realizado, que vem da adolescncia. Quem sabe, n? Eu toco violo, arranho bateria e quero aprender piano. Mas para cantar, tem que ser rock. Nine  Um Musical Felliniano estreia no dia 21 de maio, em So Paulo.

Um museu para Woody Allen em Barcelona
Seria natural que fosse em Nova York, mas Woody Allen vai ganhar um museu em Barcelona, em 2017. A iniciativa  da Mediapro, produtora do filme Vicky Cristina Barcelona, rodado por Allen em 2007, e de Meia Noite em Paris. A ideia  construir um caminho por sua vida e obra, diz Jaume Roures, presidente da Mediapro e amigo do diretor novaiorquino, que participar do projeto. Um div na entrada j est previsto. A exposio permanente se dividir entre os grandes temas da obra de Allen: sexo, amor, humor, morte e religio. O Woody Allen Center habitar a imponente Casa Llotja, antiga escola de Artes e Oficios de Barcelona, desocupada desde 2009. Por coincidncia, jantaram l recentemente Marta Suplicy, Aloisio Nunes Ferreira, Adriane Galisteu e Alexandre Idice (foto abaixo) no ltimo Meeting Internacional do Lide, em novembro.

Encantado
Um novo lao de amizade Brasil e Uruguai foi selado. O ex-presidente do Uruguai, Luis Alberto Lacalle, ficou encantando com a apresentadora Ana Maria Braga durante o 14o Frum de Comandatuba, promovido pelo Lide (Grupo de Lderes Empresariais). s uma mulher belssima e inteligente, elogiava ele, enquanto os dois discutiam sobre drogas, poltica, Brasil e Uruguai nos almoos e conversas  beira da piscina do hotel Transamrica. Quero te apresentar  minha mulher. Voc ser nossa hspede em Punta del Este, prometeu Lacalle. O papo animado chamou ateno do anfitrio. Senti um clima, heim?, brincou Joo Doria Jr. no auditrio. Mas, garantiram os mais prximos,  s amizade mesmo. Eles se reencontraro em Washington no Meeting Internacional do Lide, onde Lacalle levar a esposa. 

Papo de cozinha 
Adriane Galisteu de black tie todo mundo j viu. A novidade v-la no aconchego da cozinha. Era s um hbito de casal, mas virou um programa de tev. Papo de Cozinha com Dri e Al estreia dia 5 de maio s 21h30 no Discovery Home and Health. Galisteu no frita sequer um ovo mas adora acompanhar o marido, o empresrio da moda Alexandre Idice, enquanto ele pilota o fogo. Al prepara suas especialidades, Dri recebe os amigos. Assim nasceu a ideia da loura apresentar um programa de culinria, onde o marido cozinha e eles recebem convidados, como fazem em casa. O casal tambm est junto no lanamento do novo portal de Adriane Galisteu, que ser lanado um dia antes, em 4 de maio.

ISTO  Como  apresentar um programa de cozinha em famlia?
 Adriane Galisteu  Fao televiso h anos, mas achei difcil fazer esse programa. No por apresentar com meu marido, mas porque tive ser uma mulher bem prxima da que sou em casa. ser a mulher do Ale, a me do Vittorio. O tom de voz tem que ser diferente. A estrela  a comida e depois o Al, que  quem cozinha. Eu sempre tive preguia de cozinhar. Vittorio entra e sai de cena e eu s estou ali conversando. Tive que fazer o exerccio de me desmontar, sem mexer o cabelo, bem no estilo l em casa. E o engraado  que o Al s a topou a ideia do programa porque nunca acreditou que fosse emplacar. Ele  tmido, no  desse universo. Agora ele  a estrela. Alexandre Idice - Voc viu onde ela me colocou? Que mulher...(risos) E eu achava que seria como um jogo de pquer, imagina, nunca pensei que eu iria cozinhar num programa de tev. Mas acabei me sentindo seguro porque a Dri estava do meu lado.

ISTO  Alexandre, Qual foi a maior dificuldade de gravar os programas?
 Alexandre  Cozinhar para mim  familiar, mas o mais difcil  cozinhar e explicar para o telespectador o que estou fazendo. No sigo receita. E num dos programas, tomei um susto. Convidaram a Carla Pernambuco para comer minha comida. Quando soube, disse: Como vou cozinhar para a uma chef? Mas ela me deixou muito  vontade. Fiz um bacalhau e ela palpitou.


3#4 ANTONIO CARLOS PRADO - HLDER (VINICIUS) CMARA (DE MORAES)
A trajetria do padre-operrio cearense vale os dois milagres da canonizao.

Se Hlder Cmara tivesse nascido Vinicius de Moraes, certamente ele teria escrito o mesmo verso que o poeta comps:

 melhor ser alegre que ser triste

A alegria era a marca da alma e da ao de dom Hlder, e somente os muito alegres (nada a ver com riso fcil e ingenuidade) so capazes de transformar utopias em concretude  por isso, tivesse mesmo dom Hlder vindo ao mundo como Vinicius, tambm esses outros versos ele teria feito de forma idntica quela que Vininha fez no poema Operrio em Construo:

Era ele quem erguia as casas 
 onde antes s havia o cho 
 como um pssaro sem asas 
 ele subia com as casas 
 que lhe brotavam das mos

O alegre dom Hlder foi um padre-operrio, grudou as mos em cimento e tijolo para construir parquia e casa de pobre, mas, acima de tudo, foi um padre-operrio na construo de um Brasil socialmente mais justo na distribuio de riqueza, na cor e no gnero. No domingo, 3 de maio, ser aberto oficialmente na catedral de Olinda o seu processo de beatificao, e as autoridades eclesisticas brasileiras tero agora de comprovar dois milagres com sua mediao para que ele seja canonizado. Formalidades cannicas so formalidades cannicas, mas me atrevo a achar que o informal Francisco daria ouvidos a quem, tambm informalmente, lhe explicasse sobre esse cearense:

 Francisco, o Hlder operou no dois nem trs nem mil milagres, mas o maior de todos eles: lutou no Brasil (no Brasil, papa, no Brasil!!!) ao longo de noventa anos por um Pas mais justo e livre da corrupo (amm).

A alegria e a realizao eram a sua f. Se hoje tem poltico que se autoenaltece por regulamentar a profisso de empregada domstica, vale lembrar que foi dom Hlder (1933, aos 24 anos de idade) o pioneiro a reunir cozinheiras e faxineiras, passadeiras e lavadeiras e engomadeiras na entidade Sindicalizao Operria Feminina Catlica. Ao ser transferido de Fortaleza ao Rio de Janeiro, ento capital do Pas, sente interesse em conhecer de perto a Ao Integralista mas dela logo se afasta ao perceber que seu programa assistencialista era apenas a pele da ovelha sobre a carne do lobo do fascismo. Em 1950, sem ao menos ser bispo ainda, pede licena ao Vaticano para construir a Conferncia Nacional dos Bispos do Brasil, uma das instituies mais respeitadas no cenrio social e poltico nacional. Manteve-se na funo de secretrio-geral da entidade at 1964 quando se instaurou no Pas a ditadura militar  e, a partir do AI-5, ele foi proibido de falar e ningum mais podia citar o seu nome publicamente.

A alegria de sua alma ditou-lhe ento duas frases antolgicas que por si s j valem os dois milagres da canonizao. A primeira: quando dou comida aos pobres, me chamam de santo; quando pergunto o motivo pelo qual so pobres, me chamam de comunista. Eis a segunda: Graa das graas  no desistir jamais.  o milagre dessa santa teimosia que algum tem de contar a Francisco.

E avis-lo que, ao contrrio do proposto no incio desse artigo, se fosse Vinicius de Moraes que tivesse nascido dom Hlder tambm com certeza ele teria escrito o que o religioso escreveu, tal a devoo de ambos pela paz:

Um dos meus anseios
 de chegar ao infinito
  a esperana de que, 
 ao menos l,
 as paralelas se encontrem

Antonio Carlos Prado  editor executivo da revista ISTO


3#5 BRASIL CONFIDENCIAL
por Eumano Silva 

Muito mais do que uma grfica
A Editora Grfica Atitude, usada pelo ex-tesoureiro do PT Joo Vaccari Neto para desviar propinas do Petrolo, faz parte de uma ampla rede de comunicao dos sindicatos dos Bancrios de So Paulo e dos Metalrgicos do ABC. Alm da Revista do Brasil, da Atitude, os dois sindicatos tm ainda a Rdio Brasil Atual, a agncia de notcias Rede Brasil Atual (RBA), um jornal com o mesmo nome e outro, chamado ABCD Maior. A menina dos olhos  a TV do Trabalhador, a TVT, que ganhou a concesso em 2010.

Disputa pela mdia 
 A licena da TVT est em nome da Fundao Sociedade, Comunicao, Cultura e Trabalho, organizao sem fins lucrativos, fundada pelos dois sindicatos. Em janeiro, o ministro das Comunicaes, Ricardo Berzoini, recebeu representantes da fundao para falar de temas como democratizao da mdia, comunicao pblica e radiodifuso comunitria.

Um padrinho forte 
 Apelidada de TV do Lula, a TVT ganhou, em 2013, licena da Anatel e aval do ento titular das Comunicaes, Paulo Bernardo, para transferir as antenas de transmisso de So Caetano do Sul para a Avenida Paulista. O ex-presidente Lula se empenhou pessoalmente na mudana.

Aposentados no descansam
 A Confederao Brasileira dos Aposentados e Pensionistas vai retomar as presses sobre o governo pela correo dos benefcios dos 10 milhes de inativos que recebem mais de um salrio mnimo. A luta  para incluir na Lei Oramentria um reajuste superior  inflao.

Atrs dos segredos
 Enquanto a CPI da Receita Federal patina, a Comisso de Fiscalizao Financeira e Controle da Cmara corre por fora. O colegiado encaminhou pedido de acesso s informaes sobre os fatos e as pessoas fsicas e jurdicas investigadas na Operao Zelotes, da Polcia Federal.

Silncio forado
 O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), viveu um curto perodo de silncio forado. No que ele tenha se arrependido de alguma declarao. Renan ficou calado nos dias do feriado por que estava com dor de dente. Com os assessores, comunicava-se com bilhetinhos.

Tortura na Esplanada 
 Instalada para apurar as violaes cometidas pela ditadura militar contra os direitos humanos na Universidade de Braslia (UnB), a Comisso Ansio Teixeira de Memria e Verdade apresentou relatrio na ltima semana. Uma das revelaes mais fortes se refere  tortura de estudantes no prdio do Ministrio do Exrcito em plena Esplanada.

Vtimas
 O relatrio da UnB tambm registrou os nomes de trs estudantes que integram a lista de desaparecidos da ditadura. So eles: Ieda Santos Salgado, Honestino Monteiro Guimares e Paulo de Tarso Celestino da Silva. Durante um ms, o documento ficar aberto para receber sugestes da sociedade.

Incra rebate ruralistas
 A bancada ruralista do Senado costuma usar uma invaso de terras no Tocantins para questionar a reforma agrria. Nos discursos, os parlamentares do agronegcio dizem que eram terras produtivas, tiradas dos proprietrios pelos governos do PT. Na semana passada, o Incra apresentou documentos para rebater os argumentos dos ruralistas. Segundo a papelada, as terras foram ocupadas na poca da Guerrilha do Araguaia, na dcada de 1970, e se tornaram um assentamento em 1992, durante do governo Fernando Henrique. Diante do questionamento, os senadores vo analisar os dados para refazer o discurso.

Sem perder a receita
 A presso das cidades de Florianpolis, Recife e Vitria para que a Unio modifique as regras de cobrana das taxas dos terrenos de marinha comea a surtir efeitos. A Secretaria de Patrimnio da Unio (SPU) formou no ms passado um grupo com a misso especfica de encontrar uma sada para o problema, que se arrasta h muito tempo. Mas a Unio no quer perder receita.

Toma l d c
Senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), presidente da Comisso de Infraestrutura do Senado

ISTO  Qual sua opinio sobre a pesquisa feita pelo Senado que mostra descrena do brasileiro em relao  poltica energtica?
 Alves  A pesquisa alerta para a ampliao de outras fontes renovveis. Temos a matriz energtica mais vivel do mundo, no podemos ficar  merc das crises.

ISTO  O governo deve fazer uma campanha pela racionalizao do uso de energia?
 Alves  Temos que fazer esse debate. A conscientizao para o consumidor fazer a sua parte  muito importante.

ISTO  Os parques elicos do Rio Grande do Norte deram certo?
 Alves Os parques j esto funcionando. Com o aporte de gerao de energia elica, atramos R$ 10 bilhes em investimentos.

Rpidas
* A um ano e meio das eleies,  possvel identificar os interessados em concorrer  Prefeitura do Rio. O PMDB do prefeito, Eduardo Paes, tem dois candidatos: o lder do PMDB na Cmara, Leonardo Picciani, e o secretrio da Casa Civil, Pedro Paulo.

* Por enquanto, os peemedebistas vo mal. Sondagens espontneas feitas pelo PMDB, apontam como favoritos o deputado Alessandro Molon (PT), a deputada Clarissa Garotinho (PR), o senador Romrio (PSB) e o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL).

* O ex-senador Luiz Estevo ainda cumpre pena em regime aberto por crimes que vo do desvio de recursos pblicos a falsificao de documentos. Mesmo condenado e h muito tempo sem mandato, ele ainda tem muito poder na Cmara Legislativa do Distrito Federal.

* Pelas contas de um deputado distrital, Luiz Estevo indicou os ocupantes de pelo menos 20 dos cargos comissionados mais bem remunerados. Empresrio de vrios setores, principalmente no ramo imobilirio, o ex-senador se diz o homem mais rico do DF.

Retrato falado
Alvo de protestos dos que cobram devoluo da ao que veda o financiamento eleitoral por empresas, o ministro do STF Gilmar Mendes emitiu sua opinio, durante palestra no Senado, sobre os que pegaram em armas contra a ditadura. Mendes afirmou que a reforma poltica  atribuio exclusiva do Congresso e disse que durante a ditadura Militar foram os homens que lutaram dentro das instituies que mais ajudaram o pas a superar o regime de exceo. 

Haja verba
 Em tempo de corte de gastos, vale a pena observar como os parlamentares usam o dinheiro da verba indenizatria. O lder do PT na Cmara, Sib Machado (PT-AC), por exemplo, gastou R$ 38, 4 mil em maro. Com esse dinheiro, ele alugou um jatinho para visitar um municpio do Acre, abasteceu o carro com 1.160 litros de gasolina em um nico posto e alugou nove salas para abrigar seu escritrio poltico no estado.

Fora as passagens areas
 Pela regra da Cmara, a verba indenizatria varia em funo da distncia entre o estado e Braslia. Por esse critrio, Sib Machado tem direito a cerca R$ 40 mil, includas as despesas com voos para o Acre. Em maro, o lder do PT no demonstrou gastos com passagens.
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4# BRASIL 29.4.15

     4#1 FARRA PARTIDRIA
     4#2 A NOVA BATALHA DE JANOT
     4#3 RUMO  PAPUDA
     4#4 FORA DO EIXO
     4#5 PELO FIM DO ISOLAMENTO

4#1 FARRA PARTIDRIA
Ao sancionar projeto que triplica a verba destinada aos partidos, Dilma mostra novamente que o ajuste fiscal no se aplica ao governo e aos polticos
Josie Jeronimo (josie@istoe.com.br)

Uma canetada da presidente Dilma Rousseff, na segunda-feira 20, exps o abismo existente entre os interesses da classe poltica e os anseios da sociedade. Num momento em que os brasileiros se esforam para pagar a fatura da irresponsabilidade fiscal de mandatos anteriores, os polticos e dirigentes partidrios  avalizados pelo governo  mostraram, na ltima semana, que tipo de contribuio eles esto dispostos a dar para disciplinar as desordenadas contas do Pas: nenhuma. No caminho oposto ao ajuste fiscal anunciado pelo Planalto, triplicaram a verba pblica anualmente destinada a eles mesmos. Assim, os recursos do chamado Fundo Partidrio pularam de R$ 289,5 milhes em 2014 para R$ 867,5 milhes este ano. O aumento de quase 200% concedido ao Fundo Partidrio mostra que, ao ceder  vontade dos polticos, o governo se afasta de suas declaradas prioridades. Apesar de o mote do segundo mandato de Dilma ser Ptria Educadora, o oramento da Educao cresceu mdicos 8% em relao ao ano passado. J as verbas para o Ministrio do Transporte e a rubrica de Segurana Pblica foram reduzidas em 6% e 7%, respectivamente. Sem dinheiro para investir e com a economia estacionada, a equipe econmica ainda ter de anunciar novos cortes em reas fins para arcar com a farra partidria. A deciso de Dilma de aprovar o reajuste aos partidos na atual circunstncia poltica e econmica foi duramente criticada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros. A presidente fez o que havia de pior. Ela sanciona o Fundo Partidrio, com aumento muito grande, e desde logo anuncia que vai contingenciar (recursos para outros setores). Ela sem dvida nenhuma escolheu a pior soluo, afirmou.

DESCOLADA DA SOCIEDADE - Enquanto reajusta repasse aos partidos, Dilma reduz verba para a Segurana Pblica

A extravagncia em benefcio dos partidos traduz uma estratgia essencial para a sobrevivncia do PT e para a governabilidade da presidente, que depende da boa relao com sua base de apoio no Congresso para fazer o governo andar. Pela regra em vigor, cinco por cento dos R$ 867,5 milhes sero divididos em partes iguais entre todas as siglas, at para as que no tm representao no Congresso. Os outros 95% so distribudos, proporcionalmente, de acordo com o nmero de votos que o partido recebeu na ltima eleio geral para a Cmara dos Deputados. Todos os partidos ganharo. E muito. Por isso, o trabalho de bastidor dos dirigentes partidrios para que a presidente sancionasse o aumento. Mas a maior presso partiu do PT. Por dois motivos. Este foi o pulo do gato para instituir, de forma compulsria, uma antiga bandeira da sigla: o financiamento pblico de campanha. E ela veio num momento oportuno para o PT. Com a imagem destroada perante a opinio pblica devido ao envolvimento no escndalo do Petrolo, o partido se comprometeu publicamente h duas semanas a suspender o recebimento de doaes de empresas. Ocorre que essa deciso atingiria em cheio as finanas da legendas, se no fosse o aumento do Fundo Partidrio. O reajuste sancionado pela presidente Dilma significar um aporte de R$ 88,9 milhes para o PT. Em 2014, a legenda recebeu R$ 50,3 milhes de fundo partidrio, o equivalente a 16% do total. Agora, o PT  donatrio de pelo menos R$ 139,2 milhes da soma reservada aos partidos no oramento de 2015. O valor se aproxima do montante que o PT deixar de arrecadar com as doaes de pessoas jurdicas. Em 2013, ano no eleitoral, as empresas contriburam com R$ 79,7 milhes para o PT. Agora, graas ao aumento no Fundo Partidrio, por ter a maior bancada da Cmara, a sigla poder ter mais quatro anos de folga no caixa. Alm dos dirigentes do PT, caciques das maiores legendas tambm comemoram a entrada do dinheiro extra. O PMDB, como segunda maior bancada, recebeu R$ 35,9 milhes no ano passado, e pelo novo oramento ter direito a R$ 99,4 milhes. Em terceiro no ranking de bancadas na Cmara, o PSDB saltar de R$ 33,9 milhes para R$ 94 milhes. At o PCO, que no tem representante na Casa, ter o seu naco aumentado. O dinheiro destinado ao partido pular de R$ 514 mil para R$ 1,4 milho.

Quando foi regulamentado, em 1995, o Fundo Partidrio tinha o objetivo de custear aluguel de sedes, pagamento de funcionrios e de material de escritrio. Esse perfil de despesas, porm, foi incrementado e atualmente a verba do Fundo banca todo tipo de mordomias. Como os recursos so pblicos, mas os partidos polticos so entidades de direito privado, a prestao de contas resume-se a informar se as despesas so maiores ou iguais  receita arrecadada, pois se sobrar dinheiro,  preciso devolver. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, para quem o reajuste aprovado por Dilma foi um escrnio, colocou mais lenha nessa fogueira, semana passada: So R$ 900 milhes para partidos polticos. Procure saber em detalhes como essa montanha de dinheiro  gerida pelos caciques partidrios, criticou.

Para entender como funciona a contabilidade dos partidos, ISTO debruou-se sobre a prestao de contas entregues  Justia Eleitoral. Alguns partidos detalham gastos nas planilhas de apresentao ao TSE, outros so bem sucintos. O balano de caixa mostra que o dinheiro pblico est sendo usado para custear uma gigantesca mquina poltica de hbitos nada austeros. No ano passado, s com o pagamento de empresas de vigilncia o PT gastou R$ 1 milho. As convenes partidrias da sigla - encontros destinados a escolher os candidatos que disputariam cargos majoritrios - custaram R$ 4,4 milhes.

Os regalos que cercam a vida dos parlamentares no Congresso se repetem na rotina partidria do PMDB. Em 2014, saram do caixa da sigla recursos para pagar conta de R$ 15,1 mil em uma famosa churrascaria em Braslia, R$ 30,4 mil para uma casa de bebidas, R$ 3,5 mil em frutas e R$ 1 mil em biscoitos mineiros. Em 2013, o fretamento de jatinhos custou R$ 198 mil. No mesmo ano, s com servios fotogrficos foram gastos R$ 93 mil. Despesas com ornamentao, lavanderia, confraternizaes e, at mesmo, pedgios, engrossam o inventrio de notas fiscais encaminhadas  Justia Eleitoral para explicar a aplicao dos recursos pblicos. As despesas com advogados tambm ocupam grande parte da planilha. Em 2013, ano sem disputas eleitorais, o pequeno PHS informou pagamento de R$ 432 mil em honorrios advocatcios. Outro gasto genrico, muito comum nas prestaes de contas,  a despesa com fim doutrinrio. O PP, partido sem tradio de militncia, informou ter aplicado R$ 5,2 milhes, em 2013, com o objetivo de difundir sua ideologia entre os seus 1,4 milho de filiados. O fluxo dos recursos segue uma dinmica de poder. Na maioria das legendas, o dinheiro fica concentrado nas mos da cpula do partido, fortalecendo o sistema de caciques. O Fundo vai para a cpula.  bvio que os presidentes dos partidos vo beneficiar os amigos. Isso tira a igualdade da competio interna, critica o lder do PSC na Cmara, deputado Andr Moura (SE).

Em setembro de 1995, a lei que regulamentou a ajuda da Unio aos partidos tinha o objetivo de incentivar a representatividade.  poca, o clculo era de R$ 0,35 em repasse por eleitor inscrito. O valor seria corrigido pelo ndice Geral de Preos (IGP-DI), o mesmo aplicado em reajustes de alugueis. O aporte aceito por Dilma para as legendas, porm, subverteu a lei. Se fosse aplicada a regra de atualizao expressa na lei 9096, cada eleitor representaria um repasse de R$ 1,62, totalizando R$ 231 milhes aos partidos. Os R$ 867,5 milhes autorizados por Dilma revelam que cada contribuinte equivale a R$ 6 de doao para as legendas polticas.

Na quinta-feira 23, o relator do Oramento 2015, senador Romero Juc (PMDB-RR), usou a tribuna para revelar a presso que sofreu pela incluso de mais verba para os partidos no projeto inicial. Fui procurado pela grande maioria dos partidos polticos. Todos apavorados. No havia recursos para que os partidos pudessem funcionar neste ano, explicou. Querendo ganhar pontos com o eleitorado, a direo do PMDB foi a nica a defender a devoluo de parte dos recursos como forma de colaborar com o esforo de corte de gastos promovido pelo governo, mas no deu detalhes sobre o possvel estorno. As demais legendas se calaram. Em pblico. Em privado, j acertam como se refestelaro com incremento de dinheiro que sai dos impostos do contribuinte.


4#2 A NOVA BATALHA DE JANOT
Para no inviabilizar a Lava Jato, procurador-geral da Repblica precisa resolver a queda-de-brao com a PF, marcada por acusaes mtuas
Claudio Dantas Sequeira (claudiodantas@istoe.com.br)

Nos ltimos dias, o procurador-geral da Repblica Rodrigo Janot foi tragado para dentro de uma nova polmica envolvendo a Operao Lava Jato. A querela decorre do descompasso entre os trabalhos desenvolvidos na primeira instncia e no Supremo Tribunal Federal, no que diz respeito aos acusados no Petrolo. Dois relgios que deveriam atuar em harmonia, hoje funcionam de maneiras distintas. Enquanto na primeira instncia o juiz Srgio Moro j decretou a sentena de condenao contra o ncleo administrativo e financeiro do esquema, no STF nenhuma denncia sequer foi apresentada pelo Ministrio Pblico Federal. Responsvel pelas apuraes relativas ao brao poltico do Petrolo, Janot  acusado pela Polcia Federal de travar a investigao, protelando oitivas de pelo menos sete inquritos relacionados a 40 pessoas e alimentando uma antiga guerra de poderes entre procuradores e delegados. Nos bastidores, delegados se queixam que o procurador-geral quer para si o protagonismo da operao, submetendo a PF a seus desejos. Acusam-no ainda de estar usando a Lava Jato para garantir sua reconduo ao cargo. De outro lado, o MP diz que a PF estica a corda de olho em aumentos salariais e numa autonomia oramentria, administrativa e financeira em relao ao Ministrio da Justia.

Desde que foi alado ao posto, Janot tem atuado como um equilibrista para evitar incidir em equvocos cometidos por seus antecessores. Ele no quer agir de maneira aodada, para que no incorra no mesmo erro de Aristides Junqueira, responsvel pela denncia contra o ento presidente Fernando Collor, que anos mais tarde seria inocentado pelo STF pela inconsistncia das provas utilizadas. Nem pretende marcar seu trabalho pela lentido, para no ser acusado de engavetador-geral da Unio, como Geraldo Brindeiro, conhecido por no dar andamento aos processos contra polticos durante o governo tucano.

O excesso de cuidados, no entanto, no impede o surgimento de problemas com os quais o procurador no esperava se deparar. Conforme apurou ISTO, a contenda comeou quando Janot telefonou para o diretor-geral da Polcia Federal, Leandro Daiello, no ltimo dia 15, explicando que precisava adiar os depoimentos dos senadores Fernando Collor e Benedito de Lira, e do empresrio Alexandrino Alencar, ex-diretor da Odebrecht, previstos para os dois dias subsequentes. O procurador explicou que aguardava o resultado das diligncias que fundamentariam os interrogatrios. Daiello teria concordado em remarcar a data das oitivas e pediu que Janot formalizasse isso por ofcio. No dia seguinte, porm, o diretor-geral da PF recuou. Alegou que os delegados no concordavam com o adiamento e que o caso deveria ser levado ao ministro Teori Zavascki, do STF. Assim foi feito e o relator acabou autorizando a mudana na agenda, num despacho em que reafirmou a competncia do Ministrio Pblico na conduo do inqurito.

Para integrantes do MPF ouvidos por ISTO, a postura do diretor-geral da PF no episdio sugere que ele tem dificuldade em comandar sua tropa, da o descompasso entre as duas instituies que deveriam trabalhar em harmonia. Essa situao teria se tornado ainda mais flagrante com a presena informal do delegado Luis Flvio Zampronha em diversas oitivas. Procuradores da fora-tarefa questionaram a participao de Zampronha, alegando que o policial no foi designado oficialmente para a funo. Prximo do ex-diretor da PF Paulo Lacerda, Zampronha integrou a Diviso de Combate a Crimes Financeiros da PF que investigou a fundo o mensalo. A expertise do delegado justificaria sua participao no caso, desde que isso fosse formalizado, alegam os procuradores. Caso contrrio, s tende a alimentar a disputa entre a PF e o MPF e as insinuaes mtuas de que algum quer atrapalhar as investigaes. No h necessidade de um ato formal. Nenhum delegado foi designado oficialmente, rebateu Zampronha.

Certo  que, aps a manifestao de Teori, a PF resolveu reagir por meio do presidente da Associao de Delegados da Polcia Federal (ADPF), Marcos Lencio Ribeiro. Em nota, disse que os delegados federais estavam preocupados com os prejuzos  investigao criminal e com o atraso de diligncias. Ato contnuo, em blogs surgiram acusaes de que a PF estaria usando a Lava-Jato como barganha para aprovar a PEC 412, que prev autonomia oramentria, administrativa e financeira para a instituio. Audincias pblicas de Lencio com parlamentares para defender a PEC da autonomia foram interpretadas como provas de um balco de negcios.  uma insinuao ridcula e despropositada, disse  ISTO.  o que todos esperam. 


4#3 RUMO  PAPUDA
Extradio de Pizzolato para o Brasil constrange o Planalto e reacende debate sobre devoluo  Itlia do ex-ativista de esquerda, Cesare Battisti

Foram 525 dias de fuga. Na manh de sexta-feira 24, terminou a aventura do ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, para tentar escapar do cumprimento de pena no Pas por envolvimento no processo do mensalo. Preso na Itlia desde fevereiro, o petista teve a extradio autorizada para atender a um pedido do advogado-geral da Unio, Lus Incio Adams, e do procurador-geral da Repblica, Rodrigo Janot. Quando entrar para as dependncias do Presdio da Papuda, em Braslia, Pizzolato ser o ltimo dos mensaleiros condenados recolhido ao crcere no Brasil.

DE VOLTA - Henrique Pizzolato ser o ltimo dos mensaleiros recolhido ao crcere no Brasil

O caso do ex-diretor do BB se transformou em uma grande enrascada para a Justia e o governo brasileiro. Em novembro de 2012, o STF sentenciou Pizzolato a 12 anos e 7 meses de priso em regime fechado. Ele foi acusado de autorizar - durante sua gesto no Banco do Brasil em 2003 e 2004  o repasse de R$ 73,8 milhes que a instituio tinha aplicada no fundo Visanet  agncia de publicidade de Marcos Valrio, principal operador do mensalo. Mas Pizzolato fugiu do Brasil em setembro de 2013, apresentando um passaporte falso com dados de seu irmo morto em 1978. O petista passou a ser considerado foragido em novembro de 2013, quando o ento ministro do STF, Joaquim Barbosa, emitiu a ordem de priso dos condenados do mensalo. S em fevereiro a Interpol o localizou na cidade de Maranello, no Norte da Itlia. 

Embora o pedido de extradio tenha partido do governo brasileiro, a deciso dos italianos provoca um certo constrangimento para o Planalto, pois a volta de Pizzolato renova outra pendncia diplomtica entre os dois pases. Em 2010, o presidente Lula negou o pedido de extradio do ativista italiano Cesare Battisti, contrariando deciso do STF que acatou o pedido do governo italiano. Em seu pas de origem, Battisti  considerado um terrorista foragido. A extradio de Pizzolato tende a reacender o debate sobre a devoluo  Itlia do ex-ativista da extrema esquerda que vive em liberdade no Brasil. 


4#4 FORA DO EIXO
Governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, afronta os brasileiros ao comparar, em solenidade, o mrtir da Inconfidncia aos condenados do PT por prticas de corrupo
Izabelle Torres (izabelle@istoe.com.br)

Quando eclodiu o escndalo do mensalo, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, ento prefeito de Belo Horizonte, tentou se distinguir dos demais colegas do PT. Para se afastar dos dirigentes envolvidos na denncia que atingia pela primeira vez o corao do partido, Pimentel dizia pertencer  ala defensora da refundao da sigla. Fatos recentes mostram que, dez anos e uma sucesso de escndalos depois, o PT no mudou. Pimentel, sim. Em sintonia com o discurso atual da maioria dos petistas, o governador de Minas Gerais afrontou os brasileiros e a histria do Pas ao comandar a tradicional solenidade de entrega da medalha da Inconfidncia, em Ouro Preto, no dia 21 de abril. Em discurso, Pimentel lembrou a histria de Tiradentes para defender colegas de partido envolvidos nos diversos escndalos de corrupo que abateram a legenda. Afirmou que Tiradentes foi punido pela convenincia de no se punir mais ningum. Foi levado ao altar dos sacrifcios para saciar a sede de vingana dos poderosos da poca, referindo-se indiretamente aos petistas que se colocaram como vtimas das elites. Todo ru  inocente at que sejam esgotadas todas as possibilidades de defesa. Isso  um limite contra os desmandos, como aquele que afligiu Tiradentes, acrescentou ele numa aluso aos petistas implicados no Petrolo, cujos processos ainda no transitaram em julgado.

 O ministro Levandowski teve a coragem de ir contra os aparentes consensos, guiado pelo incomparvel senso da justiaReferncia  atuao do magistrado  no julgamento do mensalo, em que defendeu penas mais brandas  

A manifestao em prol dos companheiros de partido no se limitou ao discurso. Revelou-se tambm na escolha dos homenageados. A maior honraria, o Grande Colar da Inconfidncia, foi conferida ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. O ministro teve papel de destaque no julgamento do mensalo e ganhou a simpatia dos petistas por representar um dos poucos contrapontos ao ex-presidente da Corte, Joaquim Barbosa, relator do processo e um crtico feroz s prticas de corrupo do partido. A homenagem a Lewandowski poderia se justificar pelo fato de o ministro ocupar atualmente a presidncia do tribunal. O governador mineiro, entretanto, fez questo de deixar claro o motivo de ser ele o escolhido para receber a maior honraria mineira: sua posio em defesa de penas mais brandas aos mensaleiros. O ministro Levandowski j se mostrou fiel a mais sublime e nobre misso de um magistrado. Teve a coragem de ir contra os aparentes consensos, guiado apenas pela solitria e genuna convico da inocncia ou da culpa, mas sem se deixar intimidar pelos clamores de um, de outro, ou de qualquer lado. Guiado, senhor ministro, pelo incomparvel senso da justia e pelo compromisso republicano e democrtico que caracteriza Vossa Excelncia, disse o governador.

A VOZ DAS RUAS - Manifestantes protestaram em Ouro Preto contra a deciso de Fernando  Pimentel de conferir a honraria a "apadrinhados do PT de reputao duvidosa"

Entre os demais 140 agraciados com medalhas da Inconfidncia havia outras figuras historicamente ligadas ao PT. A principal delas, Joo Pedro Stdile, lder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que h menos de um ms prometeu, atendendo ao chamado do ex-presidente Lula, colocar seu exrcito nas ruas para confrontar os manifestantes que tomaram as avenidas do Pas contra a corrupo. O governador mineiro mancha a histria daqueles que realmente fizeram jus a esta homenagem, lamentou o deputado estadual Gustavo Corra (DEM), que vai tentar derrubar a honraria concedida a Stdile na Assembleia Legislativa.

Tiradentes foi levado ao altar dos sacrifcios para saciar a sede de vingana dos poderosos - Comparao com os petistas que se colocaram como vtimas das elites

A solenidade ocorreu na Praa Tiradentes, mas no foi exatamente pblica. O evento ficou circunscrito a uma rea cercada. Os que protestavam contra o governador, Lewandowski e Stdile  cerca trs mil pessoas  no puderam transpor a barreira. A maior parte dos manifestantes vestia camisas pretas que representavam luto. Erguia uma faixa onde se lia A Inconfidncia  dos brasileiros. No do PT. Dizia protestar contra a deciso de conferir a honraria a apadrinhados do PT de reputao duvidosa. O minuto de silncio que caracteriza a solenidade h dcadas foi ignorado para evitar que os gritos de protestos ganhassem fora. Mesmo assim, no primeiro grande ato pblico de Pimentel em quatro meses de governo, foi impossvel disfarar o constrangimento com a lamentvel tentativa do governador de transformar Minas em um anexo das convices do petismo. 

Todo ru  inocente at que sejam esgotadas as possibilidades de defesa. Isso  um limite contra os desmandos, como aquele que afligiu Tiradentes
Aluso aos petistas envolvidos no Petrolo, cujos processos no transitaram em julgado


4#5 PELO FIM DO ISOLAMENTO
Em encontro na Bahia, quatro ex-presidentes latino-americanos condenam a poltica externa do Brasil e empresrios reclamam da falta de dilogo do governo
Mario Simas Filho e Srgio Quintella

Uma generalizada desesperana com o momento atual e com os rumos do Brasil sob o comando da presidente Dilma Rousseff. Talvez seja essa a melhor sntese do que se observou durante o 14 Frum de Comandatuba no ltimo final de semana. Promovido pelo Lide  Grupo de Lderes Empresariais  o encontro reuniu cerca de 700 pessoas, entre eles empresrios representantes de significativa parcela do PIB brasileiro, deputados, senadores, governadores e ex-presidentes que debateram medidas para combater a crise institucional e poltica no Brasil. O desalento com a atual poltica comeou a ficar latente j no domingo 19, durante debate que reuniu no mesmo palco quatro ex-presidentes: Fernando Henrique Cardoso (Brasil), Jorge Quiroga (Bolvia), Luis Alberto Lacalle (Uruguai) e Vicente Fox (Mxico).

NOSTALGIA LATINA - Da esquerda para a direita, os ex-presidentes Jorge Quiroga (Bolvia), Vicente Fox (Mxico), Fernando Henrique Cardoso (Brasil) e Luis Alberto Lacalle (Uruguai) lamentam o encolhimento brasileiro

O Brasil nos ltimos anos foi ficando isolado do ponto de vista do relacionamento comercial. O Mxico tem mais de 30 acordos desse tipo. O Brasil tem trs. A nossa liderana (presidente Dilma Rousseff) perdeu a capacidade de escolher. Foi encolhendo a posio do Brasil nesse contexto internacional. E hoje na Amrica Latina ns temos nitidamente toda a Costa do Pacfico com uma posio muito mais aberta do que ns aqui, que ficamos submetidos quela idia antiga de que vamos nos defender.  l Venezuela,  la Argentina, disse Fernando Henrique, numa crtica direta s opes ideolgicas impostas pelo PT  poltica externa do Brasil. O debate com os quatro ex-presidentes pode ser considerado um dos melhores momentos de todos os encontros j promovidos pelo Frum Comandatuba. E, diante de uma platia vida por sugestes que possam tirar o Pas do atoleiro em que se encontra, a presena dos antigos chefes de estado fez com que por algumas horas se vivesse um clima de nostalgia latino-americana na Bahia, exatamente no momento em que as crises econmica e poltica voltam a se instalar nos principais pases do continente.

A maior reclamao entre os empresrios presentes foi a ausncia de um dilogo franco entre o governo e o setor produtivo. A constatao foi feita pelo presidente do Lide, Joo Dria Jnior. O debate, a diversidade de opinies, a busca de solues e uma agenda positiva podem contribuir para encontrarmos sadas para as dificuldades que o Pas atravessa, disse Dria. Membro do Conselho Administrativo da Brasil Foods, Luiz Fernando Furlan tambm registrou a falta de dilogo e ressaltou: A melhor soluo seria que o governo funcionasse, para que as coisas voltassem o mais prximo possvel da normalidade. E que o setor produtivo tivesse uma previsibilidade tanto poltica quanto econmica, porque  isso que faz a empresa investir, criar empregos e olhar positivamente para o futuro.

A ausncia de lderes do governo e de parlamentares petistas no evento reforou a idia de desesperana com o momento atual. O isolamento da presidente Dilma originou um novo ciclo de articulao poltica e a crise pode se agravar caso o pacote de ajuste fiscal seja desvirtuado pelo Congresso, disse o cientista poltico Gaudncio Torquato. Segundo ele, todos os setores da indstria demitiram e o conjunto das crises hdrica e energtica pode gerar animosidade social. Como ocorre h mais de dez anos, esse evento  uma grande oportunidade para o governo buscar um entendimento com o empresariado, mas parece que isso no est na atual agenda da presidente Dilma, disse um dos empresrios presentes. Na abertura do encontro, Dria lamentou com veemncia a ausncia das autoridades petistas. Convidei 13 senadores e 15 deputados, mas o PT fugiu do debate, disparou o anfitrio.

Na prtica, o governo acabou representado pelo peemedebista recm-nomeado ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves. De forma tmida, ele no conseguiu se colocar como alternativa de dilogo e se limitou a ser um contraponto queles que no descartam um processo de impeachment contra a presidente caso seja comprovada sua participao em crime de responsabilidade. No podemos ter o terceiro turno das eleies, disse o ministro, em resposta ao senador Cssio Cunha Lima (PSDB-PB), que evocou ferozmente a tese de impedimento. O ministro do Tribunal de Contas da Unio Augusto Nardes tratou de colocar um pouco de combustvel no debate. Afirmou que a presidente poder, sim, ser responsabilizada: Existem vrias situaes de ilegalidade em relao s pedaladas fiscais. No ano passado havamos encontrado uma situao muito crtica pelo fato de o Ministrio da Fazenda no ter contabilizado algumas operaes. E agora constatamos que houve uma srie de emprstimos feitos pela Caixa Econmica Federal sem uma sustentao legal. Ao todo, o rombo aventado por Nardes pode chegar a R$ 2,3 trilhes.

O presidente da Cmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje um dos principais protagonistas da poltica brasileira, tambm admitiu o isolamento da presidente Dilma e afirmou que somente uma reforma poltica ser capaz de reunificar o Pas. Na ltima eleio houve uma vitria eleitoral, mas ela no trouxe uma hegemonia poltica. Falta explicar qual a agenda do Pas para termos menos contestao da sociedade, disse o deputado. Considerado o maior encontro empresarial do Brasil, o evento no ensolarado final de semana na Bahia teria sido uma boa oportunidade para a presidente e sua equipe exporem uma agenda convergente.
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5# COMPORTAMENTO 29.4.15

     5#1 DO INFERNO NA SRIA AO RECOMEO NO BRASIL
     5#2 R$ 104 MILHES, UM RADAR QUE NO FUNCIONA E 12 MIL VTIMAS
     5#3 NO LABORATRIO DE FERRAN ADRI
     5#4 EX-BBB ABALA OS EUA

5#1 DO INFERNO NA SRIA AO RECOMEO NO BRASIL
Eles so a nacionalidade com o maior nmero de refugiados no Pas. Como vivem os milhares de srios que, amparados por uma resoluo que facilita a obteno do visto, tentam esquecer os horrores da guerra e construir uma nova vida aqui

Camila Brandalise (camila@istoe.com.br)

Foi durante um bombardeio em Damasco, na Sria, em 2013, que Mazen al-Sahli, 45, perdeu sua casa e seu restaurante, na guerra que atormenta o Pas h quatro anos. Refugiado no Brasil h um ano, ele conta sua histria do sof da casa que alugou em Guarulhos, na Grande So Paulo, sentado de costas a uma parede decorada com frases do Coro. Sahli d um gole no caf, fixa o olhar no vazio, suspira e repete: Voc no sabe o que  a guerra. Na capital sria, ao se ver rodeado pelos destroos do que um dia foi seu lar, vagou pela cidade ao lado do filho, Mohammad al-Sahli, 16 anos, e da mulher, Halema Helal, 40 anos. Moraram durante sete meses em uma escola e na casa de parentes. Solicitaram refgio na Alemanha, na Sucia e no Brasil, mas a nica embaixada que deferiu o pedido foi a brasileira. Desembarcaram aqui no dia 12 de janeiro de 2014, dormiram trs dias na mesquita de Guarulhos e se mudaram para uma casa nas redondezas. A fonte de renda so os doces srios feitos nos fundos de onde vivem. Estamos reconstruindo a vida aos poucos, diz.  difcil recomear, mas foi melhor ter vindo para c do que ficar em um lugar onde no podamos mais sair por medo de morrer.

F - Nasr Alden Moughrabiah mora prximo  mesquita do Pari, no centro de So Paulo, e espera pelos pais e pelo irmo, que devem se mudar em breve

A vinda de al-Sahli e sua famlia foi facilitada por uma resoluo criada pelo governo brasileiro em 2013 para desburocratizar a concesso de visto para srios fugidos da guerra. Esse foi o motivo do aumento do nmero de refugiados dessa nacionalidade, que chegou a 1.740 em 2014, tornando-os o maior grupo entre os 7.662 asilados no Pas. No comeo do conflito, em 2011, eram apenas 16. A maioria dos srios que chega ao Brasil  de homens sozinhos, entre 20 e 30 anos, com ensino superior e ingls fluente. Formado em contabilidade, Nasr Alden Moughrabiah, 31 anos, fugiu da Sria para no servir o exrcito. Teria que pegar em armas e matar pessoas. No ia conseguir passar por isso. Ele chegou em fevereiro de 2014 e alugou um apartamento no Brs, no centro de So Paulo. Hoje trabalha como representante de uma marca de jeans e diz que o pai, a me e o irmo s esto esperando venderem a casa de Damasco para se mudarem para c.

Moughrabiah escolheu viver nas redondezas da mesquita do Pari, tambm no centro, por causa do comrcio e da forte presena islmica na regio. A prpria mesquita virou ponto de referncia, seguindo dizeres do Coro, que prega o dever do muulmano em prestar caridade a viajantes desamparados. Somos como uma tbua de salvao, afirma a funcionria pblica Layla Ielo, brasileira convertida ao islamismo e uma das fundadoras do Oasis Solidrio, grupo que presta apoio aos refugiados.

A ideia de criar o Oasis Solidrio, em 2013, surgiu de uma conversa entre Layla e Amer Mohamad Masarini, srio que vive no Brasil h 19 anos. Hoje eles mantm dilogo direto com a Prefeitura de So Paulo e o Comit Nacional para os Refugiados (Conare), do governo federal, na tentativa de desenhar um panorama mais esperanoso. Masarini, no entanto, se diz desanimado. O Brasil abriu as portas, e isso  timo, mas assim que o avio pousa os refugiados encontram problemas: poucas pessoas podem lhes dar informaes em ingls, quem dir rabe. J recebi telefonema de funcionrios do aeroporto me pedindo ajuda, afirma. Para Manuel Nabais da Furriela, presidente da comisso do direito do refugiado, asilado e da proteo internacional da Ordem dos Advogados do Brasil de So Paulo (OAB-SP), a estrutura de apoio precisa melhorar. O governo tem de se articular melhor para dar conta do contingente, que deve aumentar em 2015. A maior parte da ajuda vem do terceiro setor.

H um ano procurando emprego no Brasil, Abdulbaset Jarour, 25 anos, trabalhava em uma loja de produtos eletrnicos em Aleppo, uma das cidades mais afetadas pela guerra, quando foi convocado para servir o Exrcito, em 2010. Tornou-se motorista, mas nem por isso deixou de presenciar conflitos e assassinatos. Resistiu a fugir da Sria at que o quartel em que dormia foi bombardeado durante a madrugada. H um ano no Pas, diz que fez amigos por aqui e no pensa em voltar. Dois dias depois de conversar com ISTO, Jarour soube que a me foi gravemente ferida em um ataque com bombas na Sria. A guerra, para esses refugiados, continua mais presente do que nunca.


5#2 R$ 104 MILHES, UM RADAR QUE NO FUNCIONA E 12 MIL VTIMAS
Autoridades tentam reverter estragos de uma tragdia que poderia ter sido evitada se a cidade de Xanxer, destruda por um tornado, contasse com equipamentos meteorolgicos
Fabola Perez (fabiola.perez@istoe.com.br)

Em julho do ano passado, o governo de Santa Catarina inaugurou um moderno radar meteorolgico no municpio de Lontras, no Vale do Itaja. O equipamento, comprado dos Estados Unidos, foi adquirido para prever tempestades, tornados e catstrofes naturais, cada vez mais comuns na regio sul do Pas. Mesmo com um servio de previso climtica de ltima gerao, em uma torre de 25 metros e oito andares, que custou 10 milhes de reais aos cofres pblicos do Estado, a cidade de Xanxer, localizada no oeste catarinense foi destruda com a passagem de um tornado na tarde de segunda-feira 20, deixando 12 mil pessoas desamparadas (at sexta-feira 24). Depois da tragdia, constatou-se que o municpio arrasado est completamente desprotegido de qualquer tipo de previso meteorolgica. O equipamento de Lontras, ainda em fase de testes, no estava funcionando desde janeiro por um problema na fonte de alimentao, ocasionado por uma descarga eltrica aps uma tempestade. Ainda assim, se estivesse operando normalmente, o radar s cobre 77% do territrio catarinense, excluindo as regies Sul e Oeste, justamente as mais favorveis a esse tipo de fenmeno. As peas do radar foram enviadas ao fabricante nos Estados Unidos para conserto. Esse  o nico equipamento em todo o estado para fazer previso de catstrofes como essas. O secretrio adjunto de Estado da Defesa Civil, Rodrigo Moratelli, afirmou que estava no planejamento a compra de mais dois radares para o Oeste e Sul do estado, mas ainda em processo de licitao.

DESAMPARO - Acima o cenrio de devastao na cidade de Xanxer, destruda pelos ventos fortssimos. Abaixo, famlias desabrigadas na escola que serve de ponto de apoio

A previso da prefeitura de Xanxer  que os prejuzos j ultrapassem a marca dos R$ 104 milhes. Os engenheiros e tcnicos esto visitando as famlias atingidas para estimar a quantidade e o custo de material de construo necessrio, disse  ISTO o prefeito Ademir Jos Gasparini. O governo do Estado declarou que as cidades atingidas estavam em estado de emergncia e calamidade pblica. A previso da Secretaria de Obras do municpio  que a reconstruo deva levar de seis meses a um ano. A prefeitura criou um fundo municipal, administrado tambm pelo Ministrio Pblico, para repasse de verba aos moradores cadastrados na Secretaria de Assistncia Social. Outra medida foi a liberao do Fundo Garantia por Termo de Servio (FGTS) para as famlias vitimadas. O cenrio de destruio fez com que chegassem  cidade 200 homens do Exrcito, alm de dezenas de caminhes com donativos.

Segundo estimativas, pelo menos 2,6 mil residncias foram destrudas e duas pessoas morreram. Uma das famlias que assistiu  casa ruir foi a do segurana Guilherme Pogoreski Jnior, de 28 anos. Ele chegou  casa da me Jurema, de 61 anos, e ao ver o tempo fechado retirou a irm cadeirante Maristela da sala. Segundos depois, a parede desmoronou. Tive de pux-la bruscamente para a parede no cair em cima dela, diz. Apavorada, a me viu os ventos arrancarem a cobertura da casa e destruir parte dos mveis. A famlia est sem gua e energia eltrica. O treinador de voleibol Valdir Marical tambm foi surpreendido com um forte barulho no ginsio de esportes. Quando vi que o vento balanou as paredes do ginsio percebi que a estrutura no suportaria o temporal, afirmou. Os vidros comearam a estourar e os pedaos da parede caram ao nosso lado. Marical conseguiu retirar os 30 atletas do local.


5#3 NO LABORATRIO DE FERRAN ADRI
Longe das panelas desde 2011, o chef catalo cozinhou por uma noite para 40 convidados e apresentou o El Bulli Lab, seu centro de experimentao de ideias onde filsofos e pensadores estudam comida e, agora, champanhe
Gisele Vitria, de Barcelona

Pegue um conceito de ps-modernidade e misture com duas xcaras de abstraes filosficas. Tempere com pginas de histria da civilizao e pitadas de fsica, qumica e, claro, arte. Reduza a palavra no e polvilhe com sim, a gosto. Separe em pores, muitas perguntas e processos. Sirva com criatividade e liberdade. Pronto.  assim que se alimenta o esprito e a imaginao dos comensais. Eles tm fome de beleza e de saber.

No novo laboratrio do chef catalo Ferran Adri, que em 2011 fechou seu estrelado restaurante El Bulli, por tantas vezes o melhor do mundo, no h sequer uma panela. No se v chaleiras, caldeires ou frigideiras. Tampouco foges, fornos ou talheres. H, sim, papis, canetas e textos por todo lado.  Ali, a cozinha  uma consequncia do pensamento e da inteligncia.

Montado em Barcelona num espao de 1.500 m2 , o El Bulli Lab poderia ser chamado de biblioteca ou de centro de estudos criativos. A criatividade pode ser uma forma de vida, aplicada  qualquer atividade: da compreenso de um tomate  de um iPhone, diz Adri, usando seu crach no laboratrio apresentado pela primeira vez. Como compreendermos um processo criativo, um processo de produo, um processo de experincia? Se conhecemos todos os processos, compreendemos um alimento, uma bebida ou uma tecnologia. Entendeu? Gostou? Adri sabe que  complexo. Fazemos isso h 25 anos e poucos entendem, diz.

Com Adri trabalham 70 funcionrios, que no so exatamente mestre-cucas. So filsofos, historiadores e socilogos, cuja a palavra de ordem : comer conhecimento para alimentar a alma. Depois de mergulhar profundamente no universo de seus novos utenslios de trabalho, Ferran Adri achou que fazia sentido voltar aos foges. E, mesmo assim, apenas por uma noite.

Longe das panelas h quatro anos, o cozinheiro, como gosta de ser chamado, quebrou esse jejum no mesmo dia em que apresentou o seu El Bulli Lab. Estava feliz de uniforme branco, mangas arreadas, protegido pelo avental azul marinho. Na noite de quinta-feira 17, na antiga fbrica de Palo Alto, em Poblenou, nos arredores de Barcelona, 40 convidados no disfararam o deslumbramento diante da inventiva cozinha molecular na experincia This is not a dinner (isso no  um jantar, em livre traduo). A celebrao girava em torno do champanhe Dom Perignon vintage 2005, lanado naquela noite, pelas mos do anfitrio Richard Geoffroy, chef de cave da marca.

Imerso na cozinha, Adri s apareceu no final do show enogastronmico. Parei para voltar, resumiu Adri, sorridente, a Isto, nico veculo brasileiro presente na grande noite do retorno de Adri, que repercutiu pelo mundo em jornais como o The New York Times e o El Pas. Parar de cozinhar foi um ciclo. Aos poucos, voltarei com as experincias no El Bulli Fundation. Mas esta noite no foi um jantar. Foi uma reflexo sobre espao e liberdade. O evento selou o contrato de trs anos de Adri e sua fundao El Bulli com a marca de champanhe Dom Prignon. Juntamente com a equipe de Richard Geoffroy, Adri e seus filsofos se debruaro sobre a histria do champanhe e suas safras, para explorar os mecanismos de seus processos criativos. No Dom Perignon lab, espao dentro do El Bulli Lab, o objetivo ser decodificar o passado para construir um futuro to criativo para o vinho que nasceu de um sublime erro do monge beneditino que leva seu nome. Surpreendido por bolhas no vinho que preparava, o monge Dom Prignon foi quem definiu, no sculo XVII, as regras bsicas do champanhe moderno. Adri ajudar a escrever um novo captulo desta histria? No sabemos onde chegaremos, mas queremos deixar um legado para as prximas geraes, diz Geoffroy.

A marca  nova parceira da Fundao El Bulli, unindo foras ao investimento de 9 milhes de euros feito pela Telefonica e outros patrocinadores no projeto. Alm do laboratrio terico, a fundao El Bulli ter sua unidade prtica. O El Bulli 1846, que est sendo construdo em Cala Montjoi, mesmo lugar do extinto restaurante, ficar pronto em 2016 e oferecer 20 jantares por ano. Hoje o chef  consultor de marcas multinacionais, professor em Harvard e scio do irmo Albert Adri em quatro restaurantes em Barcelona. Em 28 de maio, Ferran Adri vai inagurar ainda o Heart Ibiza, um restaurante-conceito na ilha espanhola, juntamente com o Cirque du Soleil. Ele no se v como empreendedor nem professor. Sou um cozinheiro,  uma tima palavra.

No jantar que no era jantar, quem estava l foi convidado a conhecer e potencializar o prprio paladar, como um dos cinco sentidos. Por essa regra, o preparo de cada prato s terminava depois da criao ingerida.   muito mais do que alimentar o estmago ou matar a fome. Tudo que se come pode no somar 300 gramas, mas as texturas, os sabores e a originalidade alimentam o autoconhecimento. Um canap de tomate com iogurte e esferas de azeite pode surpreender na boca com um sabor salgado de chocolate, como demonstrou, o Tomato and Olive oil airbag. Entre paredes que se moviam no escuro, jogos de luz e penumbra, mesas espelhadas, sons e nvoas, os convidados experimentaram 29 snacks que interpretaram o vinho da noite.

 O roteiro sensorial do evento de trs horas comeou num salo escuro, onde os convidados foram orientados a se posicionar, de p, em cada um dos 40 plpitos enfileirados, onde uma garrafa de champanhe aberta e uma taa os esperavam. Nessa hora, espetculo propunha que o convidado reconhecesse, de forma progressiva, a expanso do vinho a partir do momento em que garrafa era aberta. Antes do primeiro gole, uma cortina branca desceu, envolvendo os convidados individualmente, para que pudessem apreciar o champanhe. Depois, paredes se moveram, abrindo o espao para um salo com quatro mesas com tampo de espelho. No havia talheres, mas toalhas mornas e guardanapos.

Entre os destaques preparados por Ferran Adri, brilharam clssicos do extinto restaurante El Bulli como as azeitonas esfricas (spherical Green olives), uma espcie de gelatina de creme de azeite com finssima textura que explode na boca, desmanchando sua cremosidade. Ginger, flowers and yogurt canap (canap com cinco tipo de flores e iogurte) e sorvete de parmeso tambm impressionaram. O que quisemos mostrar foi liberdade, resumiu Richard Geoffroy.

J com uma taa de vinho na mo, Ferran Adri, ainda de avental, alegrava-se. Apresentamos uma maneira de captar os prazeres de beber champanhe com comida. Uma experincia diferente, no?, disse ele, que agora s volta a cozinhar em 2016 quando o El Bulli 1846, que sediar a fundao El Bulli, ficar pronto. Enquanto isso, ele tira o avental para mergulhar novamente na metodologia que batizou de Sapiens, na qual, com a inquieta curiosidade de um cientista maluco ou de um gnio criativo, almeja compreender no s os processos da alimentao e da gastronomia, mas de qualquer rea do saber. Fome de qu? Tudo o que eu quero  aprender, diz Adri.


5#4 EX-BBB ABALA OS EUA
Como uma trama envolvendo sexo, troca de favores e milhes de dlares colocou Juliana Lopes no centro de um escndalo poltico no Senado americano
Paula Rocha (paularocha@istoe.com.br)

Assim como acontece com a maioria dos ex-participantes de reality shows, a brasiliense Juliana Lopes Leite, de 34 anos, que integrou a quarta edio do programa Big Brother Brasil, em 2004, j havia sido esquecida pelo pblico. Na semana passada, no entanto, seu nome voltou s manchetes por um motivo nada glamouroso. Juliana est sendo apontada como um dos pivs de um escndalo poltico envolvendo o senador americano pelo partido Democrata Robert Menendez, 61 anos, e o mdico Salomon Melgen, 60. Segundo publicado no jornal New York Post, Menendez  acusado de realizar trfico de influncia na obteno de vistos de entrada nos Estados Unidos para supostas namoradas de Melgen, entre elas, Juliana. Em troca da ajuda, o mdico oftalmologista, principal doador das campanhas eleitorais do senador, teria presenteado Menendez com cerca de US$ 1 milho.

Formada em Direito em Braslia, Juliana trabalha atualmente como advogada em um escritrio imobilirio de Miami, na Flrida, onde realizou uma ps-graduao na rea jurdica entre 2008 e 2010. De acordo com a promotoria americana, em 24 de julho de 2008, Menendez pediu que um de seus assessores entrasse em contato com um funcionrio do Departamento de Estado americano solicitando uma considerao cuidadosa para o requerimento de visto de uma mulher brasileira, descrita como advogada, atriz e modelo, que queria estudar no pas. Um dia aps a interveno, o visto de Juliana foi obtido. O mesmo esquema teria beneficiado outras namoradas de Melgen, incluindo uma jovem da Repblica Dominicana, de 22 anos, e sua irm, de 18 anos, que entraram nos EUA no final de 2008, e a modelo ucraniana Svitlana Buchyk, que conseguiu um visto em 2007 para se consultar com um cirurgio plstico da Flrida.

A brasileira confirmou ao New York Post que conhece Mengel, mas no quis comentar as acusaes. Ela no retornou os contatos da ISTO. J Menendez se declara inocente. Se for condenado, o poltico pode pegar at 15 anos de cadeia.
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6# MEDICINA E BEM-ESTAR 29.4.15

A CRISE MEXE COM A CABEA DO BRASILEIRO
Cresce o nmero de pessoas que procuram ajuda para tratar sintomas de ansiedade e de depresso causados por problemas como o desemprego, a dificuldade para pagar dvidas e a falta de confiana no futuro do Pas
Cilene Pereira (cilene@istoe.com.br) e Fabola Perez (fabiola.perez@istoe.com.br)

O brasileiro anda vivendo dias difceis. No trabalho, a presso por bons resultados  intensa e a ameaa de perda do emprego, constante. Quem foi demitido sofre a angstia de tentar se recolocar profissionalmente e se deparar com portas cada vez mais fechadas. Nos jornais, a avalanche de ms notcias econmicas e polticas desenha um cenrio asfixiante, de perspectivas pouco animadoras para os prximos meses. Uma pesquisa da Confederao Nacional da Indstria captou em nmeros a sensao da maioria da populao: o medo do desemprego cresceu 32% de dezembro a maro e o ndice de Satisfao com a Vida caiu 8% em relao a dezembro.  o menor ndice da srie histrica.

Essa atmosfera to pesada comea a produzir repercusses na sade mental dos brasileiros. Nos consultrios mdicos, os ltimos meses tm sido marcados pelo aumento no nmero de pessoas em busca de ajuda para lidar com sintomas de ansiedade e de depresso desencadeados pelas incertezas e aflies da crise que vive o Pas. S tinha visto algo parecido logo depois do 11 de setembro, afirma o psiquiatra carioca Leonardo Gama Filho, que atende em sua clnica no Rio de Janeiro desde 1992. O total de pessoas com queixas relacionadas  situao atual se elevou exponencialmente, diz. Tambm no Rio de Janeiro, a psiquiatra Rita Jardim contabiliza maior busca por auxlio, inclusive no servio pblico. Desde o incio do ano passei a atender no mnimo 16 pacientes por dia. Antes, eram 12, conta a mdica, que atende no Hospital Psiquitrico Municipal Jurandyr Manfredini. A psicloga Ana Maria Rossi, presidente da seo brasileira da International Stress Management Association - associao internacional dedicada  pesquisa cientfica e  preveno do estresse - observa panorama semelhante em seu consultrio em Porto Alegre. Nas ltimas semanas houve acrscimo de 30% na busca por informaes sobre o atendimento e de 15% nos novos pacientes por causa da crise, conta.

A maioria dos indivduos chega na frente do mdico com queixas de insnia, irritabilidade, dificuldade de concentrao, apatia, cansao. Na origem dos sintomas esto o medo de perder o emprego, a ansiedade em saber se ser possvel encontrar um novo trabalho e a continuidade de notcias ruins sobre o Pas, sem perspectiva de que isso mude a curto prazo. A crise traz uma situao de alerta a todos, que gera insegurana, explica Ana Lcia Mandelli de Marsillac, do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina. Alm disso, o clima atual tambm pode recrudescer a manifestao da ansiedade e da depresso em pacientes j diagnosticados. Nesses indivduos, em tratamento e sabidamente predispostos, o noticirio negativo leva ao agravamento dos sintomas, explica o psiquiatra Mrcio Bernik, coordenador do Ambulatrio de Ansiedade do Hospital das Clnicas de So Paulo. No   toa, portanto, que os pacientes que procuram o psiquiatra Leonardo Gama Filho, do Rio de Janeiro, saem com a recomendao de evitar assistirem aos telejornais.

A associao entre crises e doenas psiquitricas  algo indiscutvel aos olhos da cincia. A ltima grande lio sobre como uma coisa leva inexoravelmente  outra veio com o crash financeiro no qual os Estados Unidos e a Europa mergulharam em 2008, com consequncias ainda desastrosas para muitos pases. Nas naes mais fortemente afetadas, como Grcia e Espanha, boa parte da populao sofreu pesadamente de ansiedade e presso. Um levantamento realizado por pesquisadores espanhis, por exemplo, demonstrou que entre os anos de 2006 e 2010 houve, na Espanha, 19% de aumento no nmero de casos de transtornos de humor, 8% no atendimento a crises de ansiedade e de 5% de doenas associadas ao abuso de lcool.

Ansiedade e depresso so enfermidades diferentes mas passveis de serem desencadeadas em tempos complicados. Isso porque so resultado de uma combinao que inclui desde mecanismos desenvolvidos pelos homens ao longo de sua evoluo at falhas na construo da resilincia  a capacidade de cada um de resistir s presses. No caso da ansiedade, trata-se de um estado necessrio  sobrevivncia.  ela que ajuda o corpo a se preparar para uma situao adversa, ameaadora. Por isso, vem marcada fisicamente por respostas que deixam o organismo pronto para reagir: aumentam a presso arterial e o batimento cardaco e deixam o crebro em alerta.

O problema  quando esse estado de prontido no se desarma. Desta forma, a possibilidade de haver um remanejamento na empresa ou de no conseguir pagar a prxima prestao do carro  capaz de acionar de novo e de novo o esquema, trazendo um sofrimento to grande e to freqente que a pessoa tem dificuldade para viver sua vida normalmente.  o que os mdicos chamam de ansiedade disfuncional. Ou seja, ela perdeu sua funo principal, a de ajudar o corpo a responder, e passou a ser uma doena. Na depresso, a reao  outra.

Duas das marcas da enfermidade so a apatia e a extrema dificuldade de enxergar novas perspectivas, a luz no fim do tnel. Circunstncias difceis  como as experimentadas atualmente no Brasil - engrossam o caldo propcio  manifestao ou ao agravamento de ambas as caractersticas.

Um ponto comum no desencadeamento da ansiedade e da depresso  um processo fisiolgico que tem por trs o estresse crnico  algo que tende a se acentuar em dias como os atuais. So cada vez mais evidentes as constataes cientficas de que submeter a mente ao estresse durante perodos mais extensos promove mudanas no crebro que deixam as pessoas mais vulnerveis s duas enfermidades. Uma delas  o aumento no surgimento de clulas produtoras de mielina (bainha que recobre as fibras nervosas) e menor produo de novos neurnios. Isso provoca uma quebra no delicado equilbrio do sistema de transmisso de informao entre um neurnio e outro, predispondo o crebro a apresentar falhas em seu funcionamento que podem resultar nas duas enfermidades.

Como no se tratam aqui de questes simples de serem resolvidas, para as quais exista apenas uma sada, o tratamento das duas doenas exige medidas diversas. Do ponto de vista mdico, elas incluem o fornecimento de medicao e psicoterapia. Os remdios so os antidepressivos e os ansiolticos. Os primeiros atuam sobre o sistema de serotonina, umas das substncias que faz a comunicao entre os neurnios e que est envolvida, entre outras funes, no processamento das emoes. Eles no causam dependncia e alguns so indicados tambm para casos de ansiedade. J os ansiolticos impedem a ao do GABA, substncia presente no sistema nervoso central que tambm age na comunicao entre os neurnios. Desta maneira, reduz a velocidade do funcionamento do sistema, atenuando os efeitos da ansiedade. Alguns podem causar dependncia de acordo com a dose e o tempo de uso. Por isso, o ideal  que sejam usados em baixa dosagem e por curto espao de tempo (entre trs e quatro meses).

A opo pelo medicamento  uma atitude que deve obedecer a critrios claros. H situaes nas quais no  preciso remdio, explica o psiquiatra Miguel Jorge, professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de So Paulo (Unifesp). O momento adequado de indicar um remdio  quando a pessoa est vivendo a situao com sofrimento intenso e/ou quando ela est afetando seu dia a dia, completa.

 consenso entre os especialistas tambm que a abordagem psicoterpica  fundamental. No  incomum, por exemplo, que uma pessoa que tenha quadro de pnico, mesmo sem crise h dois anos, no consiga ir ao cinema. Esse medo no passa com remdio.  preciso trabalhar a parte psicolgica, explica Miguel Jorge.

A modalidade de terapia mais indicada  a cognitivo-comportamental. Como diz o nome, ela atua nas esferas cognitiva, dos pensamentos, e de suas manifestaes comportamentais. O objetivo  ajudar o paciente a identificar pensamentos que estejam associados ao aparecimento de sintomas, encontrar formas de neutraliz-los ou de transform-los e mudar os comportamentos que normalmente esto a ele vinculados. Na prtica, significa, por exemplo, auxiliar um paciente a dar nova avaliao a uma situao que considera ameaadora. Muitas vezes a pessoa hiper valoriza os riscos mas no enxerga os recursos que tem para super-los, explica a psiquiatra Gisele Gus Manfro, professora do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O terapeuta estimula o indivduo a perceber que est focando apenas no lado mais sombrio e o incentiva a encontrar maneiras mais positivas de analisar a questo. Muitos indivduos se depreciam, com pensamentos do tipo no sou bom o suficiente para o mercado atual. Isso potencializa a chance de apresentar ansiedade e estresse, diz Allessandra Ferreira, especialista em gesto de pessoas e coaching. Uma das formas de evitar armadilhas como esta  aumentar a resilincia. Em uma situao na qual muita gente j est perdendo emprego e vai receber o fundo de garantia, o que a pessoa pode fazer? Pode mapear o que tem de melhor e comear uma nova carreira. Um momento terrvel pode ser um momento de libertao. A pessoa pode desenvolver uma vocao, explica a psicloga Mnica Portella, do Rio de Janeiro.

Opes como a prtica da ioga e da meditao tambm tm respaldo cientfico de eficcia. Na Unifesp, h o estudo do mindfulness, prtica que, por meio de exerccios de respirao, ajuda as pessoas a voltar a ateno para o presente, reduzindo a ansiedade em relao ao futuro. Na rotina de trabalho agitada, as pessoas focam a ateno nas expectativas, no futuro, e no o que fazer no momento presente, explica a psicloga Isabel Weiss, pesquisadora da instituio paulista.

Uma ampla anlise feita pela Organizao Mundial de Sade a respeito do impacto da crise europeia sobre a sade mental apontou que medidas sociais tambm so importantes para amenizar os efeitos. Entre elas esto a instalao de programas de assistncia a desempregados, de apoio s famlias com portadores de ansiedade e depresso e servios que ajudem na renegociao de dvidas. Alm disso, a entidade sugere o aumento no preo das bebidas alcolicas.
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7# ECONOMIA E NEGCIOS 29.4.15

     7#1 PETROBRAS CORRIGE A ROTA
     7#2 SEM MEDO DE PAGAR COM CARTO

7#1 PETROBRAS CORRIGE A ROTA
Maior empresa brasileira escancara em balano as perdas bilionrias geradas pela corrupo e reconquista a confiana do mercado com informaes transparentes e o anncio do controle radical de suas despesas 
Ludmilla Amaral (ludmilla@istoe.com.br)

Na noite da quarta-feira 22, depois de um atraso que se arrastou por cinco meses, a Petrobras comeou a sair do fundo do poo.  luz fria dos nmeros, o balano divulgado pelo novo presidente da estatal, Aldemir Bendini,  uma tragdia. Pela primeira vez desde 1991, a companhia fechou o ano com prejuzo. As perdas totalizaram R$ 21,6 bilhes, a dvida dobrou de tamanho, para R$ 282,1 bilhes, e a corrupo tomou R$ 6,2 bilhes dos cofres da petrolfera. Este ltimo dado  assombroso. Significa que os malfeitores investigados pela operao Lava Jato surrupiaram uma Natura inteira (uma das maiores empresas de cosmticos do Brasil) da Petrobras. Tudo isso seria motivo para preocupao, mas o que se viu depois da divulgao dos resultados foi exatamente o contrrio.

A FESTA ACABOU - O presidente Bendine: para evitar a sangria do caixa, ele no pagar dividendos aos acionistas

Muitos analistas argumentaram que a lisura na apresentao de indicadores to desfavorveis conta pontos a favor de uma empresa manchada por uma srie de denncias. No dava mais para esconder a sujeira. No era mais possvel ignorar os estragos causados pelo pagamento indiscriminado de propinas em troca de contratos bilionrios. No Exterior, a repercusso foi positiva. Para o americano The Wall Street Journal, a Petrobras finalmente colocou uma etiqueta de preo no escndalo de corrupo. Segundo o The New York Times, o balano foi o primeiro passo para a conquista da confiana dos investidores.

Para uma gigante com aes negociadas em bolsas de valores, que precisa de crdito internacional para realizar investimentos e que enfrenta uma onda de escndalos sem precedente, reconstruir a credibilidade pode ser to vital quanto encontrar uma nova jazida de petrleo. Ao apresentarmos os dados estamos dando um passo fundamental em direo ao pleno resgate da Petrobras junto aos seus acionistas, fornecedores e mercados, disse Bendine, que assumiu a empresa h dois meses, no calor das investigaes da Lava Jato. Bendine foi sincero durante o anncio do balano. O executivo disse sentir vergonha pelas atividades irregulares praticadas por executivos que hoje esto na cadeia, pediu desculpas aos brasileiros e comparou a situao a um desastre de avio. Se o desastre deixou marcas profundas, a boa notcia  que a correo de rumo j comeou.

Para evitar novas sangrias financeiras, a Petrobras anunciou a suspenso do pagamento de dividendos para os acionistas, o que no ocorria desde 1992. A medida  to dura quanto necessria. Isso  o que deve ser feito, diz Srgio Lazzarini professor de estratgia do Insper. Seria pior forar o pagamento de dividendos num momento em que a empresa opera com prejuzo. O prximo desafio, gigantesco por sinal,  reduzir o endividamento. A empresa planeja vender ativos, o que deve ser feito ao longo de 2015, e pode voltar a emitir ttulos da dvida no mercado brasileiro, o que no acontece desde 2000.

Para quitar todos os seus dbitos e ter finanas consideradas saudveis, a Petrobras precisaria hoje de 4,77 anos. No setor petrolfero, o patamar ideal  2,5 anos. Para efeito de comparao, a americana Exxon Mobil levaria apenas 0,48 ano para no dever mais nada no mercado. Nem s de tragdias vive a maior empresa brasileira. As previses mostram, para o futuro prximo, o aumento da cotao do barril de petrleo. As expectativas do mercado so para que o preo do barril volte para a casa dos US$ 90, diz o economista Arthur Ordones, especialista em gesto de riscos. Hoje, o valor est em torno de US$ 64. A Petrobras ter de aproveitar isso. 


7#2 SEM MEDO DE PAGAR COM CARTO
Como aproveitar seus benefcios e se prevenir contra fraudes
Luisa Purchio (luisapurchio@istoe.com.br)

Pesquisa recente revelou que em 2014 os brasileiros gastaram R$ 978,8 bilhes por meio de cartes de crdito e dbito  15% a mais que no ano anterior. Nada mais natural, portanto, que se expanda tambm o nmero de pontos de comrcio que oferecem ao consumidor a comodidade das engenhocas leitoras de carto. Toda facilidade, porm, tem dois lados, e, quanto mais terminais surgem, mais expostos esto os dados dos clientes, diz o diretor de defesa do consumidor da Senacon, Amaury Martins de Oliva. Basta, no entanto, seguir com ateno as regras de segurana que a utilizao do carto se d com tranquilidade. Quando se introduz o carto na leitora, tudo bem de digitar a senha. Mas nunca a digite quando a tarja magntica de seu carto for passada na leitora. Se algum pass-la e pedir a senha est mal intencionado, diz Edson Silva, presidente do Grupo Nexxera, lder em transaes eletrnicas que acaba de lanar um novo sistema de pagamento para micro e pequenos empresrios.
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8# MUNDO 29.4.15

GENOCDIO EM ALTO-MAR
Naufrgio mata mais de 800 pessoas no Mediterrneo e coloca a Unio Europeia diante de um dilema: como resolver o problema da imigrao ilegal num momento em que cresce a intolerncia contra estrangeiros
Mariana Queiroz Barboza (mariana.barboza@istoe.com.br)

A chegada de um cargueiro portugus, no domingo 19, foi o ltimo sinal de esperana para os pouco mais de 800 passageiros que estavam em um navio  deriva no Mar Mediterrneo. Eles haviam partido de Trpoli, na Lbia, com o sonho de desembarcar, mesmo que ilegalmente, na costa italiana, e deixar as mazelas de seus pases para trs. Ao avistar o cargueiro se aproximando para prestar socorro, os imigrantes se concentraram em um nico lado do convs. Como era frgil, a embarcao adernou e acabou colidindo com o barco portugus. Jogadas ao mar, as vtimas eram, em sua maioria, emigrantes da Eritreia, antiga colnia italiana e dona de um dos regimes polticos mais repressivos do mundo. Ao lado deles, estavam passageiros, muitos deles trancados no poro, vindos da Sria, Somlia, Serra Leoa, Mali, Senegal, Gmbia, Costa do Marfim e Etipia, inclusive 200 mulheres e dezenas de crianas entre 10 e 12 anos. S 28 sobreviveram. O naufrgio  a maior tragdia recente do Mediterrneo e suscita um debate incmodo: h soluo para o drama de milhares de pessoas que, todos os anos, arriscam a vida em embarcaes precrias rumo  Europa?

 DERIVA - O navio superlotado levava mais de 800 pessoas, a maioria africanos, da Lbia  Europa pelo Mediterrneo. Entre as vtimas, havia crianas de 10 a 12 anos. S 28 sobreviveram

No desembarque em Catnia, na Siclia, dois supostos tripulantes, um tunisiano e um srio, foram presos e um chefe contrabandista foi identificado. O premi italiano Matteo Renzi classificou-os de comerciantes de escravos do sculo 21. Mas o efeito prtico dessa investigao  mnimo perto da crise que o naufrgio representa. Para o primeiro-ministro de Malta, uma das principais portas de entrada desses imigrantes na Europa, no h outro nome para a tragdia:  um genocdio. No dia seguinte, outros trs navios pediram socorro. Na semana anterior, 400 pessoas haviam morrido afogadas no naufrgio de outra embarcao.

Aos estrangeiros que se arriscam nas mos de contrabandistas, essa  a nica maneira de chegar ao continente europeu e escapar da violncia, da represso e da pobreza que sofrem nos pases de origem. Eles no tm direito a um visto regular e s podem pedir asilo quando esto em solo vizinho, disse  ISTO Ester Salis, especialista do Frum Internacional e Europeu de Pesquisa sobre Imigrao, de Turim, na Itlia. A Lbia era um receptor de imigrantes, muitos africanos iam para l trabalhar na indstria do petrleo. Com a desestabilizao poltica, depois da Primavera rabe, o Norte virou a nica alternativa. Ao mesmo tempo, a Guerra Civil e o terrorismo avanaram na Sria e pases como Lbano, Turquia e Jordnia aumentaram as restries em suas fronteiras.

Em reunio de emergncia na quinta-feira 23, lderes europeus prometeram reforar as operaes de busca e resgate no Mediterrneo. O tema  controverso desde que, em crise e sem a ajuda dos parceiros de bloco, o governo italiano abandonou o programa Mare Nostrum. A Unio Europeia implantou um substituto bem menos eficiente. Enquanto a Mare Nostrum dispunha de um oramento mensal de 9 milhes de euros, cinco navios da Marinha italiana e 900 funcionrios, a atual operao Triton custa um tero, utiliza sete navios da Guarda Costeira (bem menores que os militares) e emprega 65 pessoas. A operao italiana fora colocada em prtica depois que 366 pessoas morreram num naufrgio em 3 de outubro de 2013, em Lampedusa, at ento o mais fatal do Mediterrneo. At o fim do ano passado, quando foi encerrada, a Mare Nostrum resgatou mais de 150 mil estrangeiros  o que, para muitas pessoas, serve de incentivo para os contrabandistas. Segundo os crticos dessas operaes, alguns traficantes simplesmente abandonam os barcos depois de determinado trecho da viagem, e os deixam  espera de algum resgate  ou da prpria morte.

Quanto mais se fecha o cerco, mais complexas e lucrativas se tornam as redes de contrabando. O valor pago por essas travessias varia de US$ 500 a US$ 5 mil, conforme o perfil do viajante. Em geral, o preo  mais alto para cidados do Oriente Mdio, como os srios, do que para os da frica Subsariana, caso dos eritreios.  mais barato ir em janeiro, durante o inverno do hemisfrio norte, do que ir em maio, quando o clima est mais ameno. O valor da passagem tambm depende das condies do barco e da incluso de itens to fundamentais quanto coletes salva-vidas, gua e comida. Os contrabandistas se aproveitam de todos os ngulos possveis ao lucrar sobre a misria humana, afirma Kathleen Newland, co-fundadora e diretora do ncleo de proteo humanitria do Instituto de Poltica para Migrao, de Washington, nos Estados Unidos. Nos clculos da entidade, uma viagem pode render at US$ 1 milho. O fato  que, apesar das restries s operaes de salvamento, o fluxo migratrio s cresce, acompanhado do nmero de mortes. Nos primeiros meses de 2015, j so mais de 1,5 mil vtimas, o equivalente a metade de todo o ano de 2014.

Quando tm a sorte de chegarem vivos em solo europeu, os imigrantes passam por um longo processo de regularizao e sofrem com a marginalizao da sociedade. Com o status de refugiados, eles tm certa liberdade para se mover entre os pases europeus e acabam indo, sobretudo, para a Alemanha e pases escandinavos onde possam trabalhar. Muitos preferem viver ilegalmente. O paradoxo  que, se quiser que sua economia continue crescendo, o continente precisa de mo-de-obra estrangeira. A razo est na demografia. Nas prximas dcadas, a Europa vai envelhecer ainda mais e ver sua populao encolher. As estimativas mostram que a populao da Alemanha, por exemplo, perder 10% de seu tamanho em 2050 e a maioria dos cidados estar acima dos 50 anos. Isso pressiona o sistema previdencirio, j que os trabalhadores tero que sustentar mais aposentados, e reduz o apetite da economia, acompanhando a queda da produo, do consumo e da renda. Esse argumento, contudo,  insuficiente para frear a popularizao de partidos xenfobos, que ganham fora com uma retrica cada vez mais dura contra a imigrao. Enquanto o dilema no se resolve, milhares de pessoas continuam morrendo nas guas geladas do Mediterrneo.
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9# CULTURA 29.4.15

     9#1 TELEVISO - OS PROTAGONISTAS
     9#2 MSICA - CHEGA DE CACHORRADA
     9#3 EM CARTAZ  CINEMA - CARIBE SECRETO
     9#4 EM CARTAZ  DVD - PERDIDOS NO ESPAO
     9#5 EM CARTAZ  TEATRO - SEM VOLTA
     9#6 EM CARTAZ  PERFORMANCE - ESPETCULO DE SOM E FRIA
     9#7 EM CARTAZ  HQ - CONFISSES ADOLESCENTES
     9#8 EM CARTAZ  AGENDA - LUIZ/POTESTAD/MLTIPLO
     9#9 ARTES VISUAIS - PAS DE DEUX
     9#10 ARTES VISUAIS  ROTEIROS - POESIA DA TERRA ARRASADA

9#1 TELEVISO - OS PROTAGONISTAS
Como a srie "Os Experientes", de Fernando Meirelles, est conseguindo colocar em primeiro plano a velhice, fase da vida quase sempre coadjuvante dentro e fora das telas 
Daniel Solyszko (daniel@istoe.com.br)

Depois da morte do marido ao lado de quem viveu por 45 anos, Francisca fica sabendo que, a despeito de toda sua dedicao ao matrimnio, foi enganada. Apesar da resistncia da famlia, a personagem vivida por Selma Egrei no ltimo episdio da srie Experientes, previsto para ir ao ar na sexta-feira 1, vai atrs dos sonhos recolhidos. Aos 70 anos, ela descobre o erotismo e os rituais de conquista que a fico costuma reservar s protagonistas na flor da idade.

AMPULHETA VIRADA - Salomo (Juca de Oliveira) recebe a notcia de que vai morrer de seu mdico (Lima Duarte) em "O Primeiro Dia", penltimo episdio da srie "Experientes"

A Rede Globo guardou o projeto do diretor Fernando Meirelles e de seu filho, Quico Meirelles, pronto desde 2013, para agora, momento em que a emissora comemora os 50 anos do incio de suas transmisses. No deixa de ser um pedido de desculpas a cada vez mais longeva terceira idade brasileira. Os papeis dos veteranos nas telas alm de quase sempre coadjuvantes, sempre foram, segundo o diretor geral, de muito pouca qualidade, carregados de clichs ou de condescendncia excessiva. No Brasil temos alguns acertos, mas no conheo nenhum que tenha acertado na mosca, afirma Meirelles.

Para ele, o retrato de personagens mais velhos rendeu, inclusive, os piores filmes da histria do cinema, como a ltima Viagem  Las Vegas, de Jon Turteltaub. So quatro homens na casa dos 70 que se comportam como adolescentes imbecis, achando que aquilo sim  que viver. De causar vergonha alheia, diz. A contrariedade com a maneira com que idosos so retratados  compartilhada pelo elenco. No vejo papeis de qualidade sendo oferecidos para atores mais velhos.  muito difcil e raro ver algo bom para algum na minha idade, diz Beatriz Segall, que tem 88 anos e vive a protagonista do primeiro episdio, Assalto. Na trama, ela interpreta uma ex-guerrilheira que, vtima de um assalto, acaba por ajudar seu algoz, arrancando dos policiais palavras de desprezo pela idade avanada. Um dos mritos da srie  justamente revelar escancaradamente o preconceito com a faixa-etria. Aquela velha, bradam os guardas.

COMO EM ESTOCOLMO - Beatriz Segall, no papel da ex-guerrilheira Yolanda. Vtima de um assalto, salva o criminoso da ao da polcia

O Primeiro Dia, exibido na sexta-feira 24, traz Juca de Oliveira no papel de Salomo, que descobre ter apenas 12 meses de vida pela frente. Ele decide ento se reconectar com o filho de 50 anos (Dan Stulbach), e pela primeira vez os dois estabelecem uma relao de amizade. Foi muito estimulante interpret-lo, diz Oliveira. Para o ator, a velhice no  um perodo to ruim como muitos colocam. Tenho 80 anos e continuo trabalhando. Acho que estamos sempre vivendo a melhor fase da vida, diz ele.

MEA CULPA - Para o diretor Fernando Meirelles, diretor-geral da srie, a terceira idade  mal retratada dentro e fora do Brasil

Os quatro episdios, que podem ser acessados na ntegra por meio do site da Rede Globo pelos assinantes, trazem histrias sobre a forma como as pessoas passam, na medida que envelhecem, a ser desprezadas no s pela sociedade, mas tambm pelos mais prximos, como a famlia  quando no por si mesmas. Beatriz Segall  exemplo vivo do fato. Uma das maiores intrepretes da televiso brasileira, a atriz terminou as gravaes insegura sobre seu desempenho. No sei se o Fernando Meirelles gostou do meu trabalho. No sei se fiz exatamente o que ele queria. Mas ele  muito gentil, nunca me disse nada, desabafou a atriz com a reportagem de ISTO. Imagina. Estvamos todos com lgrimas nos olhos no final do episdio, respondeu Meirelles.


9#2 MSICA - CHEGA DE CACHORRADA
Gnero conhecido pelas letras machistas, o funk ganha no Brasil uma nova gerao de cantoras que quer usar o ritmo para propagar o feminismo 
Helena Borges (helenaborges@istoe.com.br)

Poucos gneros musicais so tomados por tantas letras abertamente sexistas como o funk. Ainda que a primeira gerao de representantes do ritmo tenha assumido o papel de mulher-objeto, uma nova safra de cantoras quer redimir o estilo. As novas MCs, como so conhecidas, discorrem sobre o feminismo poltico nas apresentaes, propem um resgate de valores e repudiam termos como cachorra. A onda vem de fora. Beyonc caiu nas graas do combate ao machismo com a msica Flawless, em que define as feministas como defensoras de igualdade social, poltica e econmica. As novas divas do funk no Pas concordam.

IMPORTAO - Ludmilla, que no comeo da carreira se chamava Beyonc, como a cantora norte-americana: "No me chame para a cama"

Mc Ludmilla, uma carioca de 19 anos, chegou a usar o nome da cantora norte-americana para homenagear as letras que falam de mulheres poderosas. No recente sucesso Te ensinei certin, ela d as dicas para o homem que quer conquist-la: No me chame pra cama, me chame pra festa, talvez um jantar.

A brasiliense Flora Matos, de 26 anos, que ganhou fama com o hit Pretin, acha que os homens se incomodam com o novo posicionamento, mas no se sente vtima de preconceito dentro da cena funk.

 uma questo mais de desconforto e incmodo deles em relao  nossa liberdade de se expressar e de ser quem somos, avalia.

Romnticas? Pode ser, mas a pegada principal  tirar as garotas da posio passiva de objeto. Ainda que muitas vezes elas acabem tratando os garotos da mesma forma. Em suas canes, a curitibana Mc Mayara, de 22 anos, d broncas escancaradas nos homens. Agora a histria mudou. Fica quietinho e no se intromete. Dessa maneira ela comea seu sucesso Teoria da Branca de Neve, em que pergunta: Por que s ter um, se eu posso ter sete? Mayara jura que no vive literalmente o que canta e que suas letras so uma forma de provocao contra o pensamento machista. Se o homem tem vrias, ele  garanho. J a mulher  taxada como piranha. Isso tem que acabar. Os tempos so outros, o funk tambm.


9#3 EM CARTAZ  CINEMA - CARIBE SECRETO
Daniel Solyszko (daniel@istoe.com.br)

Raro exemplo de uma produo da Repblica Dominicana a chegar aos cinemas brasileiros, Dlares de Areia, dos diretores Laura Amelia Guzmn e Israel Crdenas, chamou a ateno do pblico e da crtica no Festival de Cinema de Toronto e na Mostra de Cinema de So Paulo, no ano passado, e agora chega s salas comerciais. A veterana Geraldine Chaplin interpreta um dos papeis mais ousados de sua carreira. Ela  Anne, uma francesa residente no Caribe que se envolve com Noeli, uma jovem golpista, que pensava em assaltar a visitante estrangeira. Com uma produo simples e poucos recursos, o filme apresenta uma abordagem delicada e original para questes to em voga no cinema como classe social e gnero.

+5 filmes com Geraldine Chaplin
Cria Cuervos (1976)
 Longa-metragem de Carlos Saura.Geraldine vive uma mulher que acredita ser responsvel pela morte do pai na infncia

Nashville (1975)
 Filme de Robert Altman que satiriza a indstria da msica country

Doutor Jivago (1965)  
 Primeiro papel adulto da atriz, que faz Tonya, a mulher trada do mdico Yuri Jivago, no clssico de David Lean

Luzes da Ribalta (1952)  
 A intrprete estreia no cinema aos 8 anos em uma ponta no que  considerado o ltimo grande filme de seu pai, Charles Chaplin

Chaplin (1992)
 Cinebiografia de Charles Chaplin dirigida por Richard Attenborough, onde Geraldine interpreta sua av, Hannah Chaplin


9#4 EM CARTAZ  DVD - PERDIDOS NO ESPAO
Daniel Solyszko (daniel@istoe.com.br)

A fico cientifica sempre foi mal representada no Brasil, com muitos ttulos importantes inditos at hoje em DVD. A Verstil corrige agora o erro com a coleo Clssicos Sci-Fi, que rene seis obras-primas do estilo, lanadas originalmente entre as dcadas de 1950 e 1980. A mais influente de todas, Planeta Proibido, traz o ento iniciante Leslie Nielsen como o comandante de uma nave em busca de cientistas desaparecidos em uma estrela inspita. A caixa conta ainda com obras de diretores importantes como Joseph Losey e John Carpenter.


9#5 EM CARTAZ  TEATRO - SEM VOLTA
Eliane Lobato (elianelobato@istoe.com.br)

Uma pea de Ingmar Bergman. S essa informao j remete para um universo de pesquisa sobre relacionamentos pesados, dolorosos, tensos, crticos etc, porque todos sabem que o diretor sueco no prima pela leveza nas suas abordagens. Atravs do espelho, em cartaz no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro, fala de uma jovem com srios problemas psiquitricos que tenta se readaptar  vida cotidiana, mas acaba provocando um curto-cirucuito familiar. Com direo de Ulysses Cruz e protagonizado por Gabriela Duarte, o espetculo  uma adaptao para o teatro do filme homnimo.


9#6 EM CARTAZ  PERFORMANCE - ESPETCULO DE SOM E FRIA
Paula Rocha (paularocha@istoe.com.br)

Mistura de show, circo e teatro, Wayra, do grupo argentino Fuerza Bruta,  uma experincia para quem gosta de performances interativas. A montagem, em cartaz h seis anos em Nova York, chega ao Brasil embalada por uma forte trilha sonora, que traz de cumbia  msica eletrnica. No ponto alto da apresentao, uma piscina suspensa desce do teto, onde bailarinas mergulham e fazem brincadeiras ao alcance das mos dos espectadores. Wayra fica em cartaz no Ginsio Mauro Pinheiro, no complexo do Ginsio do Ibirapuera, at 30 de maio.  


9#7 EM CARTAZ  HQ - CONFISSES ADOLESCENTES
Daniel Solyszko (daniel@istoe.com.br)

Lanada originalmente em 2013, O Muro, primeira histria longa da quadrinista belga Cline Fraipont, ganha agora edio nacional pela editora Nemo. Com ilustraes em preto e branco do argelino Pierre Bailly, a graphic novel acompanha a adolecncia de Rosie e sua vizinha Nath, fs de punk rock de 13 anos de idade, que moram em uma cidadezinha no interior da Blgica, no final dos anos 1980. As amigas vivem experincias de formao como as primeiras bebedeiras. E descobrem que algumas passagens no podem ser compartilhadas, como a experincia do abandono e a descoberta do amor.


9#8 EM CARTAZ  AGENDA - LUIZ/POTESTAD/MLTIPLO
Confira os destaques da semana
Daniel Solyszko (daniel@istoe.com.br)

Luiz Paulo Baravelli 
 (Galeria Marcelo Guarnieri, em So Paulo, at 9/5)
Mostra em homenagem aos 50 anos de carreira do artista paulistano

Potestad
 (Sesc Pompeia, em So Paulo, at 17/5)
Espetculo baseado em texto de Eduardo Pavlovsky, sobre as lembranas de um mdico da ditadura militar argentina

Mltiplo Leminski
 (Caixa Cultural, em So Paulo, at 3/5)
Exposio sobre o escritor curitibano Paulo Leminski que rene fotos, objetos, vdeos, discos e livros do autor


9#9 ARTES VISUAIS - PAS DE DEUX
Integrao entre bailarinos e obras de arte na exposio "Museu Danante" humaniza espao museolgico
por Paula Alzugaray

Museu Danante/ Museu de Arte Moderna de So Paulo, SP/ at 21/6
Se fosse um corpo humano, a exposio Museu Danante teria dois pulmes. Eles seriam a Bolha Vermelha (1968), de Marcelo Nitsche, e Templo (2000), de Franklin Cassaro, ambas obras inflveis, que se apresentam ora plenas de ar, ora esvaziadas. Ativadas por motores controlados por timers, elas respiram livremente, como dois rgos vivos na Grande Sala do MAM-SP. As camadas da pele desse corpo humano seriam as cortinas de alumnio de Daniel Steegman, que so continuamente atravessadas pelo pblico que circula no espao. A viso seria garantida pelo Olho, de Mrcia Xavier, fotografia vista em distoro atravs de dispositivo redondo de metal. O corao e centro nevrlgico seria Mquina Curatorial (2009), instalao de Nicols Guagnini, integrada  coleo do MAM SP depois de ser apresentada no 31 Panorama da Arte Brasileira. Trata-se de um dispositivo expogrfico, com paredes giratrias que podem ser manipuladas pelo pblico, formando mltiplas possibilidades espaciais. A Mquina Curatorial foi escalada pelo curador Felipe Chaimovich para sustentar as pinturas concretistas e neoconcretistas de Hrcules Barsotti e Hlio Oiticica, o que coerentemente chama a ateno para um momento da histria da arte brasileira em que a pintura perdeu a condio esttica e bidimensional e ganhou o espao. Mas a fora vital do Museu Danante est no corpo de baile da So Paulo Companhia de Dana (SPCD), que interage com cada uma dessas obras em duas coreografias especialmente compostas para o projeto.

CORPO DE BAILE - "Espreguiadeiras Multi", do coletivo carioca Opavivar, e danarinos da So Paulo Companhia de Dana

Co-curadoria de Felipe Chaimovich e Ins Boga, diretora da SPCD, o projeto coloca em dilogo as obras do acervo do MAM e os bailarinos da companhia. O ponto de partida foi dado por Chaimovich, que partiu de trs ideias que considerou comuns entre a dana e as artes visuais  desequilbrio, gravidade e flutuao  para escolher as 40 obras de arte com as quais a SPCD entraria em contato. As escolhas se notabilizam por obras cinticas, que se movem, como o Aparelho Cinecromtico (1969/86), de Abraham Palatnik; as que tem inteno de movimento, como os Metaesquemas (1958) de Oiticica, o Cavalo Branco, de Sandra Cinto, e a Mesa Alongada (2010) de Edgard de Souza, que parece subir pelas paredes; e aquelas que permanecem e propiciam o repouso, como Quarto dos troncos (2005), de Joo Loureiro, O Telhado, de Marepe, e as cadeiras de praia do coletivo carioca Opavivar. Estes ltimos, possivelmente pertencentes ao ncleo da gravidade.

DESEQUILIBRIO - Danarinos e obra "Copulnia", de Ernesto Neto

Estticas ou cinticas, as obras so sempre disparadoras do movimento dos visitantes  sejam eles danarinos profissionais ou amadores. A ideia  fazer do museu um lugar onde as pessoas sejam menos reprimidas corporalmente. Acho que ns conseguimos, pois as pessoas esto danando sozinhas diante das obras, conta Chaimovich. A obra que se presta mais perfeitamente a esse propsito  Do Universo do Baile (2008), uma releitura de Dias & Riedweg do funk carioca, composta por trs vdeos e um assoalho de balanas sobre o qual pode-se pisar e danar, testando o prprio peso e a leveza. Este jogo de interaes faz de Museu Danante um experimento novo e corajoso, diferente de outras experincias realizadas por museus internacionais, como o Tate Modern ou o MoMA, em que a dana fica invariavelmente confinada aos trios e espaos protegidos.


9#10 ARTES VISUAIS  ROTEIROS - POESIA DA TERRA ARRASADA
Anselm Kiefer - Paintings/ White Cube, SP/ at 20/6
por Paula Alzugaray

 Abril  o ms mais cruel, cultivando Lilazes na terra morta, misturando memria e desejo, remexendo razes morosas com a chuva da primavera. Esta livre traduo da primeira frase do poema The Waste Land, escrito por T.S. Eliot em 1922, poderia ser um segmento da pintura recente do alemo Anselm Kiefer. Suas cinco pinturas em grande formato atualmente em exposio na galeria White Cube So Paulo so como captulos de uma histria de fogo, morte, cinzas, troves, destruio, chuva e renascimento, e que encontram um eco distante nas cinco partes do poema de Eliot.

Apontado pela crtica como um dos mais importantes artistas contemporneos do mundo, Kiefer  um pintor a quem se atribuem habilidades alqumicas e que efetivamente extrai de seu trabalho a potncia do ferro e do fogo. Mais que uma arte puramente visual, sua pintura pode chegar a ser uma experincia sensorial e fsica. Especialmente se o espectador se deixar tocar pela pela grande dimenso da tela e pela abundncia e qualidade da matria que cobre sua superfcie.

Os trabalhos em exibio em So Paulo combinam camadas de tinta acrlica com metal, sal e sedimentos eletrolticos no fixados, que continuam se transformando fisicamente durante toda a existncia da pintura. Ou seja, so obras vivas. Referem-se  histria da Alemanha. Mais especificamente a uma passagem dos anos ps-guerra no pas, o Plano Morgenthau, concebido pelos EUA para desmantelar os centros industriais germnicos e recolocar o pas em condio de nao agrcola. Em vez de Lilazes, visitamos cinco campos de trigo em meio  turbulncia e destruio. Somos posicionados em um ponto de vista de dentro da vegetao, o que nos reduz  insignificncia do espectador das grandes tragdias e atrocidades do mundo.

A sensao fsica de arrebatamento diante das pinturas de Anselm Kiefer  irmanada  sensao sublime provocada pelo Romantismo alemo  atinge o pice na ltima tela da exposio, feita com sulfato de cobre verde e folhas de ouro. Como um eplogo, revela a pintura em toda sua potncia, explodindo em luz e aproximando-se dos mitos de fertilidade, abundncia e vida.  
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10# A SEMANA 29.4.15

por Antonio Carlos Prado e Elaine Ortiz 

"A FORA DO VULCO CALBUCO"
Sempre imponente em seus dois mil metros de altura mas inativo e silencioso nas ltimas quatro dcadas, o vulco Calbuco, localizado no Chile na regio turstica dos Lagos, entrou em erupo na quarta-feira 22 lanando ao ar uma coluna de dez quilmetros de cinzas, lava e fogo. E continuou em atividade na quinta-feira a ponto de o governo chileno decretar estado de exceo em todas as cidades que o cercam, entregando a administrao dessas localidades s Foras Armadas que organizou a retirada de quatro mil pessoas. A presidente do Chile, Michelle Bachelet, esteve pessoalmente em alguns pontos da regio e declarou, acompanhando a anlise de gelogos, que as erupes podem se prolongar por muitas semanas. O Calbuco est aproximadamente a 900 quilmetros de Santiago e a 70 quilmetros da cidade argentina de Bariloche, j atingida pelas cinzas. Quando ativo, ele  um dos mais perigosos vulces entre os 90 existentes no pas.


"O CRIME ORGANIZADO ATUA EM TORCIDAS UNIFORMIZADAS"
A chacina promovida em So Paulo na semana passada por uma faco criminosa, na sede da torcida uniformizada do Corinthians chamada Pavilho Nove, mostra que est correta uma velha tese do Ministrio Pblico que os cartolas do futebol insistem em no considerar  a de que o crime organizado j funciona dentro de algumas dessas torcidas. Prova disso  que entre os oito torcedores executados na Pavilho Nove, o alvo principal era o corintiano Fbio Neves Domingos (que esteve preso em 2013 na cidade boliviana de Oruro acusado de matar um adolescente no jogo Corinthians e San Jos ao disparar um sinalizador na arquibancada). Fbio tinha condenao na Justia por trfico, e na quinta-feira 23 as investigaes apontavam que ele (ex-presidente da torcida) estava envolvido com o crime organizado. Foi morto por dvidas com traficantes ou devido  disputa de locais de venda de drogas.


"NADA MUDA NA CNBB COM SEU NOVO PRESIDENTE"
Distanciada dos embates ideolgicos, das mazelas polticas e das questes sociais do Pas, a Conferncia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em nada deve mudar a sua linha de atuao voltada somente para a prpria Igreja com a eleio de seu novo presidente: o arcebispo de Braslia, dom Srgio Rocha. Ele foi escolhido na 53 Assemblia Geral da entidade com 294 votos a favor de seu nome e 215 contrrios. Afirma que tem a inteno de dialogar mais com o governo: No queremos ser controladores da vida social, mas temos de dar nossa contribuio.


O EXRCITO CONTRA O MOSQUITO"
A Prefeitura de So Paulo passou a contar na quinta-feira 23 com o auxlio de 50 soldados do Exrcito que acompanham as equipes de sanitaristas que vo s residncias dos paulistanos para combater focos do mosquito da dengue e dar informaes a respeito da doena. Motivo: cerca de 20% dos moradores no abriam a porta de suas casas aos agentes de sade temendo que fossem assaltantes disfarados. Nas ltimas semanas So Paulo registrou em mdia 12 casos de dengue por hora. Em todo o Brasil, segundo o Ministrio da Sade, foram notificados at o final de maro 460,5 mil diagnsticos e 132 mortes.
 O alerta dos EUA
 O site do Centro de Controle e Preveno de Doenas Infecciosas dos EUA publicou um comunicado aos americanos que pretendem vir ao Brasil alertando-os contra a dengue. Em uma escala de risco que vai do nvel um ao nvel trs, o Pas foi classificado no menor patamar.


"FRANCISCO FALA COMO LIBERAL. MAS S FALA..."
O Vaticano vinha h trs meses enviando sinais ao governo francs de que no credenciaria como embaixador junto  Santa S o diplomata Laurent Stefanini  homossexual publicamente assumido. O presidente Franois Hollande fez que no entendeu, e manteve sua deciso de testar na prtica o papa Francisco, popular em todo o mundo por suas declaraes bastante liberais. E l se foi Laurent para Roma. Na semana passada Francisco o recebeu, mas apenas para dizer-lhe pessoalmente que no o aceitava como embaixador. O papa no hesitou em afirmar que no concorda com o casamento para todos. Foi um recado  Frana e demais pases que aprovam a unio entre pessoas do mesmo sexo. A princpio, Francisco agiu como deveria, uma vez que ele representa a comunidade catlica que em sua maioria  contrria ao casamento homossexual. O choque de religiosos e laicos progressistas  que Francisco se autoemoldurou demasiadamente como liberal e, na hora de provar tal liberalidade, falou mais alto a tradio.


"RIVAL CHAMA CIELO DE TRAPACEIRO"
O ex-nadador francs Amaury Leveaux lanou na semana passada a biografia Sexo, Drogas e Natao, que tem a pretenso de revelar o lado sombrio dos atletas. O livro se refere a Csar Cielo como um trapaceiro e diz que o brasileiro s  um fenmeno por ser adepto da furosemida, diurtico proibido nas competies. Em 2011, Cielo foi flagrado com a substncia, mas acabou absolvido sob o argumento de que ingerira um suplemento contaminado. A obra de Leveaux  um poo de ressentimentos. Ele foi prata nos 50 metros livres, nos Jogos Olmpicos de Pequim-2008. Perdeu o ouro para Cielo. A imprensa francesa no est levando o livro e as denncias a srio.


"CIRQUE DU SOLEIL MUDA DE MOS POR R$ 3,7 BILHES"
Em 1984 o artista Guy Laliberte, ento com 25 anos de idade, fundou o Cirque du Soleil  e ao longo de trs dcadas o transformou no mais fenomenal espetculo circense do planeta, assistido por cerca de 140 milhes de pessoas a contar de sua criao at o incio do ano passado. Na segunda-feira 20 esse imprio de entretenimento mudou de mos numa transao de 1,5 bilho de dlares canadenses (cerca de R$ 3,7 bilhes). As principais compradoras so a empresa de private equity americana TPG (60% das aes) e a companhia chinesa Fosun Capital (20%). Guy seguir no circo como consultor criativo. Fiz isso por razes estritamente pessoais.  o melhor para mim e minha famlia, e tambm para o futuro do Cirque Du Soleil , disse Guy Lalibert.


"TEM DRONE NA COBERTURA "
Com 50 centmetros de dimetro e pequenos sinais de material radioativo insuficiente para prejudicar a sade de seres humanos, segundo o governo do Japo, um drone (aeronave no tripulada) pousou em Tquio na quarta-feira 22 na cobertura do edifcio onde fica a residncia oficial do primeiro-ministro do pas, Shinzo Abe. Transportava cmera, garrafa de gua e sinalizador. A polcia japonesa declarou que o modelo desse drone  compatvel com o de tantos outros negociados na internet.
 Outros drones em outros pases:
 Um drone caiu em janeiro nos jardins da Casa Branca, sede do governo americano. Os responsveis pela aeronave declararam que se tratava de uso recreativo.
A Frana observou, nos ltimos meses, pelo menos 60 drones entrando em zonas areas de acesso restrito  como so, por exemplo, todas as reas de segurana nacional.
 O Exrcito do Brasil comea a testar drones na misso de paz da ONU no Haiti.


VESTIDO DE "...E O VENTO LEVOU"  VENDIDO POR R$ 420 MIL"
Foi vendido por R$ 420 mil um dos vestidos (foto) usado pela atriz Vivien Leigh em sua impecvel interpretao da personagem Scarlett OHara no clssico do cinema ...E o Vento Levou (1939). O leilo se realizou em Beverly Hills, na tradicional loja americana Heritage Auctions, e superou em muito o lance mnimo fixado em R$ 183 mil. Alm do vestido, tambm arrematou-se o famoso chapu de palha com laos verdes com o qual a atriz aparece no incio do filme (R$ 160 mil). As peas pertenciam a James Tumblin, maquiador dos estdios da Universal.


"J PODEMOS SABER COMO ERA A VOZ DE MRIO DE ANDRADE"
O escritor e crtico Mrio de Andrade, um dos maiores nomes do movimento modernista no Brasil, morreu em 1945 aos 52 anos de idade. Quem conviveu com ele  claro que ouviu a sua voz, mas somente quem conviveu. At a semana passada julgava-se no haver um nico registro sonoro do escritor. A excelente surpresa veio por meio do Instituto de Estudos Brasileiros da USP. H um disco de alumnio, guardado nos EUA na Universidade de Indiana, que tem o registro da voz de Mrio de Andrade, inclusive cantando  juntamente com a tambm escritora Rachel de Queiroz. H mais vozes nesse disco, uma delas acredita-se ser de Pedro Nava.


"US$ 1,5 BILHO"
US$ 1,5 bilho  quanto os brasileiros gastaram em maro no exterior. Esse nmero significa 18% menos do que foi gasto no mesmo ms em 2014. Um dos motivos dessa retrao no turismo  a alta do dlar  35% em mdia


"TRGICA LIDERANA DO BRASIL"
ONG Global Witness, entidade com representao em todo o mundo: pelo quarto ano consecutivo o Brasil lidera o rol de pases que mais tiveram lderes ambientalistas assassinados. Foram 29 em 2014 e j so 477 desde 2002. O Pas est  frente das seguintes naes:.
 Lderes ambientas mortos em 2014:
 Colmbia - 25
 Filipinas - 15
 Honduras - 12


